Política
O PROGRAMA FOI UMA DECIS�O ACERTADA
O programa Mais Médicos, lançado pela presidente Dilma Rousseff, que ampliará a presença destes profissionais em regiões carentes de nossos municípios e as periferias das grandes cidades foi uma decisão acertada. A expansão e a aceleração de investimentos anunciadas irá ampliar a oferta por mais e melhores hospitais, além das unidades de saúde ? básicas e também as UPAs. A questão é maior que apenas a contratação de profissionais. Nós, prefeitos, também defendemos a contratação de profissionais formados no Brasil, mas não se pode negar a carência existente em algumas regiões, como a nossa, por exemplo, com um número reduzido de vagas nas nossas faculdades de Medicina. Vinte e dois Estados estão abaixo da média nacional, sendo que seis têm menos de um médico para cada grupo de mil habitantes. Em 1.900 cidades, a proporção é menor que um médico para cada três mil pessoas, e outras 700 não têm nenhum médico permanente. O Brasil é o único país do mundo com mais de 100 milhões de pessoas que dependem da saúde pública integral e universal. Mas o atendimento ainda é falho pela carência de profissionais. Só para exemplificar, no país temos 1,8 médico para cada mil habitante, abaixo de países como Argentina 3,4, Portugal 4,0, Espanha 3,8 e Chile 3,0, com populações inferiores a nossa. A proporção médico/habitante em Alagoas, de 1,12, é inferior à média nacional e agrava-se com a grande concentração na capital. A falha inicial de comunicação levou à grande resistência do setor médico mas, queremos deixar claro, que nenhum gestor quer substituir o profissional brasileiro por um estrangeiro. Pelo contrário. Acreditamos que a contratação de profissionais de outros países só deverá ser feita quando todas as possibilidades forem esgotadas e, mesmo assim com a revalidação criteriosa do diploma. Ninguém vai jogar profissionais em locais distantes do país, onde até a língua portuguesa tem dialetos próprios, muitas vezes difícil até para nós, sem qualificação. Defendemos que esses profissionais tenham, além de cursos de especialização em Atenção Básica, conhecimento do português. Com relação aos municípios, precisamos discutir melhor a participação financeira, porque atualmente o pacto pesa muito menos para o governo federal e estadual. Especificamente com relação ao PSF, já aplicamos um valor superior a 30% do que determina a legislação para oferecer a saúde que a população precisa. A medida chega em boa hora, porque nem a saúde nem a população pode esperar mais.