Política
ACORDO COM CPT FAZ GOVERNO PERDER VERBA PARA PESQUISA
Um acordo político entre o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) inviabilizou investimentos na Estação Experimental de Igaci. Pelo menos R$ 764 mil deixaram de ser aplicados em pesquisas na unidade. A área, conhecida como Fazenda Igaci, era usada para geração de conhecimento científico na fruticultura, em favor da agricultura familiar. Com recursos da Embrapa, cerca de 120 mil pequenos agricultores do Agreste seriam beneficiados com a assistência de agrônomos e suas experiências. Mas, em 2009, a história começou a mudar. Os sem-terra invadiram a área e até hoje permanecem na fazenda. Uma ordem judicial de reintegração de posse foi, estranhamente, engavetada por Vilela, três meses após a invasão, apesar da existência de verbas federais asseguradas do PAC Embrapa. Penhorada em processos trabalhistas, a Fazenda Igaci era de propriedade da Companhia Alagoana de Recursos Humanos e Patrimoniais (Carhp), uma sociedade de economia mista, cujo Estado é o principal acionista. O imóvel foi à leilão na última terça-feira, dia 23. No ano passado, o governo tentou arrematar a fazenda e doar parte do imóvel para a CPT, num leilão sob suspeita, que acabou anulado pela Justiça. No papel, a Fazenda Igaci valia pouco mais de R$ 940 mil. A Justiça estranhou o preço baixo. Investigou e descobriu que a área foi avaliada bem abaixo do valor de mercado. O arremate teve que ser adiado. Na terça-feira passada, o negócio se concretizou. A Fazenda Igaci, agora, é do Estado. A Carph perdeu mais um imóvel.