Política
M�dicos militares no IML de Macei� I
A SOCIEDADE CIVIL E A CRISE DO IML » DANIEL PEREIRA - Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/AL A crise do Instituto Médico Legal (IML) Estácio de Lima preocupa a sociedade civil alagoana, mas ela não é nova; novidade é a tentativa de amenizar a questão. No ano passado houve greve no IML, a crise ganhou ares de drama com a determinação de exame médico legal em novos presos e o funcionamento do IML nas 24 horas do dia. A aposentadoria de oito médicos complicou o funcionamento dos serviços do IML. Atento, o governador Teotonio Vilela Filho definiu concurso para o preenchimento de 15 vagas. Em tempos desesperados soluções são desesperadoras. É nesta conjuntura que o Conseg requisitou médicos militares para o IML ? a corporação dos médicos é contra. Querela de cores nitidamente políticas, onde os dirigentes da segurança pública necessitam dar respostas aos desafios, respostas rápidas e precárias ? como não poderia deixar de ser. O concurso pode levar até um ano para nomear os aprovados. Estudante de direito, ouvi o professor Gerson Odilon sugerir que as pessoas têm preconceito com as peculiaridades da medicina legal ? ?o melhor instrumento de corte é a faca mesmo?. Outra faca, a navalha de Ockhan, ensina a afastar soluções muito complexas. Problema político se resolve negociando e negociando, de novo e de novo; a solução tem de ser encontrada e a decisão tomada. O governo do Estado e o Conseg devem sempre estar dispostos e abertos a negociar, e a corporação médica também! Ninguém é uma ilha e nem estamos em guerra para armarmos nossos espíritos. O Estado Democrático de Direito não é sinônimo de negligência e inação: a democracia convive tranquilamente com a emergência, mesmo com vertigem. A população alagoana, que pasma incrédula ante a decomposição dos corpos dos parentes, clama, brada por socorro. O preso que não pode ingressar na Casa de Custódia por falta de exame, idem. Há soluções de longo prazo (concurso, equipagem etc) e soluções emergenciais e desesperadas ? possivelmente necessárias atualmente. Vizinhos do IML comentam que o cheiro de putrefação era insuportável, isto antes da mudança. Atualmente, o problema da fedentina está resolvido em grande parte. Como estudante egresso da Ufal, lembro com carinho das aulas de Medicina Legal com os professores Gerson Odilon e George Sanguinetti, e me acostumei a ver corpos boiando em piscinas de formol; eram aulas em tempo de outra crise (caso PC Farias ? onde houve o despertar da sociedade civil para os problemas do IML). A sociedade vem cobrando soluções há muito tempo, planos são propostos, parece que somente agora a coisa vai mudando, com a emergência na segurança pública e as verbas federais. Haja paciência da sociedade para aguentar quase vinte anos de espera! ?Os médicos militares não querem essa função e estão sendo obrigados, de forma ilegal e desumana?