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A chegada de m�dicos cubanos I

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?Me perdoe se for preconceito, mas essas médicas cubanas têm uma cara de empregadas domésticas. Será que são médicas mesmo? Aff. Que terrível! Médico, geralmente, tem postura, tem cara de médico, se impõe a partir da aparência...coitada da nossa população. Será que eles entendem de dengue? de febre amarela? Deus proteja o nosso povo!? ? Jornalista Micheline Borges. O texto acima, publicado por uma jornalista num site de relacionamento, revela um sentimento generalizado de como o brasileiro ainda percebe o negro atualmente. Pesquisas indicam que mais de 90% da população brasileira admite que o Brasil é um país racista, no entanto, apenas em torno de 10% assumem que praticam o racismo. Considerando que o Brasil é um país marcado, historicamente, por uma relação racial assinalada pela exclusão e por medidas de impedimentos à população negra tem se tornado uma frequência declarações dessa natureza. A história do Brasil foi fundada numa relação de violência entre os povos que, de acordo com o mito da democracia racial, se articularam na construção do paradigma atual do biotipo brasileiro. A chegada do colonizador português a essas terras, já em seu primeiro momento, foi uma relação fundada no uso da violência simbólica e concreta como forma de subjugar os povos indígenas e, posteriormente, os africanos. A concepção etnocêntrica de superioridade de determinadas características étnicas em relação a outras ainda é elemento norteador das relações no Brasil. Exemplo disso, são as manifestações racistas direcionadas aos médicos cubanos que chegam ao Brasil para suprir profundas lacunas na saúde pública brasileira. De acordo com o cientista social norte-americano Howard Becker, ?o pertencimento à raça negra, tal como socialmente definida, irá sobrepujar a maior parte das outras considerações na maioria das outras situações; o fato de alguém ser médico ou de classe média não o protegerá contra o fato de ser tratado em primeiro lugar como negro, e depois como qualquer um desses aspectos. O status de desviante é esse tipo de status principal. Uma pessoa recebe o status como resultado da violação de uma regra, e a identificação prova-se mais importante que a maior parte das outras. Ela será identificada primeiro como desviante, antes que outras identificações sejam feitas?. Quando a internauta racista afirma que as médicas cubanas ?têm cara de empregadas domésticas? e não de médicas, ela revela a forma como o brasileiro hierarquiza as relações estabelecendo as categorias de pessoas definindo seu status social e sua posição na sociedade. Colocar em xeque a capacidade do profissional negro é outra forma de manifestação do racismo no Brasil, também revelado nas declarações da internauta que, apesar de revelar toda a sua identificação com uma concepção etnocêntrica, certamente não assumirá sua prática racista. ?O governo tem que investir na estruturação da rede de atendimento e na carreira de Estado para médicos do SUS, e não em importar médicos?

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