Política
Fim do voto secreto II
Podemos ou não resumir que a crise por que passa a Assembleia Legislativa hoje tem a ver diretamente com transparência e publicidade nos atos do parlamento? Se uma Mesa Diretora tem a capacidade de manter sistemas secretos de utilização de seu duodécimo, o que dizer de um parlamentar que tem a opção de esconder suas convicções e opções a seu eleitorado em temas tão fundamentais? Tudo resulta numa única situação: a falta de transparência é uma das maiores enfermidades de nossa democracia. Por isso, ao aprovar por unanimidade a Proposta de Emenda Constitucional que põe fim ao voto secreto em todas as votações do Congresso Nacional, como fez esta semana, a Câmara dos Deputados dá mais que uma satisfação exigida pelas ruas. Com certeza, a partir de hoje, outras decisões que apontem para maior transparência serão tomadas. O projeto ainda precisa ser aprovado em dois turnos pelos senadores e estenderá seus efeitos às Assembleias Legislativas e às Câmaras Municipais. Mas não creio que, na altura do campeonato, haverá recuo. Para políticos acostumados à tradicional cara de pau ? aos montes nos nossos parlamentos ? será um baque seguro. O que um eleitor deve esperar de um deputado escolhido por ele que, no mesmo tema e no mesmo tipo de votação, daria o voto de uma forma quando secreto e de outra quando aberto? Não há hipocrisia maior! O voto secreto perdeu o sentido há muito tempo. Eu defendo que o parlamento deve sentir na pele e ter maturidade suficiente para enfrentar as pressões populares e da mídia em qualquer circunstância. Se os demais poderes já tomam suas decisões abertamente, sob qual pretexto deve ser diferente com o ?invisível? Legislativo? O que se tem efetivamente com o fim do voto secreto? O eleitor poderá saber, sempre, qual o comportamento do parlamentar no qual confiou o voto, poderá julgar se ele se mantém fiel às suas propostas ou não; se ele se elegeu através de demagogias e falsos compromissos ou não. Para quem compra voto e faz cadastro em cima de eleitores que se vendem isso é péssimo. Para quem faz política com ?P? maiúsculo é muito bem vindo. O novo cenário vivido pelo Brasil já havia inspirado o Congresso a aprovar a Lei de Acesso à Informação, com o objetivo claro de dar mais publicidade aos atos dos poderes constituídos. O passo dado esta semana é mais um numa trilha de avanços democráticos. A reforma política tão desejada pela população passa a ter um forte componente para jogar luz nas demais questões pautadas, como o financiamento das campanhas eleitorais e o combate ao abuso do poder econômico nas eleições, por exemplo. Em se tratando de Alagoas, quem sabe esse vento novo que passou em Brasília não sopra nos ouvidos dos deputados e os inspira a buscar mais transparência também em todos os atos da Assembleia Legislativa? Chegou a hora de colocar nossas posições ? em qualquer tema e sob qualquer circunstância ? para o julgamento isento de nossos eleitores. Quem não deve não teme voto aberto ? quanto mais CPI.