Política
Dar ou n�o esmolas na rua? I
DAR ESMOLAS É UM ATO DE CARIDADE » RODRIGO RIOS - Padre e jornalista Diante das diversas situações em que somos abordados por pedintes para dar-lhes esmolas, o que fazer? Seria uma prática que ajudaria de fato a pessoa, ou estaríamos contribuindo para que a mesma não saia daquela realidade, visto que a favorecemos naquele momento? Realmente, a pessoa precisa, ou estaríamos sendo enganados? Estes e tantos outros questionamentos nos rodeiam todas as vezes que a prática da esmola acontece. A situação de pedintes não é fácil de ser resolvida, e os necessitados de nossa ajuda sempre serão presentes em nossas vidas. Apesar de algumas políticas públicas serem responsáveis por ações sociais neste campo, não conseguem atingir a totalidade. Em nossa cidade, por exemplo, existem muitos moradores de rua, muitos que pedem doações, e isto é um fato. A prática de dar esmolas para aqueles que são cristãos tornou-se uma das principais obras de caridade. É uma forma de censura à ostentação e demonstração de compaixão para com os mais pobres. Contudo, pode ser feita de forma organizada e articulada, para favorecer ainda mais positivamente a quem recebe. Os profetas dos tempos de outrora insistiam muito na justiça para com os mais necessitados. Devo tratar-lhes de forma justa, e isto é uma forma de caridade correta. A esmola deve ser acompanhada com o dom, ou virtude da prudência, para iluminar aquela ação. Deve ser dada na gratuidade, sabendo que não se pode esperar recompensa do ato praticado. É uma atitude desinteressada. Tenho receios do desejo de delegar a prática caritativa exclusivamente ao Estado. Qualquer cidadão sabe das deficiências existentes no sistema público. Além disso, o fim da caridade seria outro. Poderia até mesmo ser manipulado, buscando interesses desonrosos. Quando faço por reconhecer no outro Cristo, quando o vejo como irmão, a caridade apresenta-se então com outro valor, ou seja, seu valor correto. O fato de não entregar esmolas resolveria o problema daqueles mais pobres, dos moradores de rua? Ou iria incentivá-los a práticas desonestas como tentativa de atenuar a sua miserabilidade? Entregar esmolas é sempre assumir riscos. Quem lida diretamente com o povo e sabe de suas necessidades mais urgentes, acompanha também o sofrimento do mesmo. Determinadas situações urgem iniciativas concretas, e disto dependem tantos. A Igreja Católica aconselha sete obras de misericórdia corporal: dar de comer, dar de beber, vestir os nus, dar pousada, visitar enfermos, visitar presos, enterrar os mortos. Façamo-las como expressão de compaixão para com os mais necessitados. Deixemos com que a esmola nos abra ao amor fraterno de forma mais ampla. ?É necessária a adesão da sociedade, pois, caso contrário, permanecerá murmurando dos graves efeitos da pobreza que ela alimenta?