Política
Estado vai comprar kits escolares com at� R$ 22,1 mi de sobrepre�o
Na canção O caderno, Toquinho apela por valorização do material escolar, a fim de garantir sua presença ao lado do estudante ?do primeiro rabisco até o bê-a-bá?. Mas este chamado parece ter sido levado ao extremo em uma tomada de preços que servirá como base para a confecção do edital de licitação na modalidade pregão, para a compra de 600 mil kits escolares, previstos para serem entregues entre o ano eleitoral de 2014 e o primeiro ano de governo do sucessor de Teotonio Vilela Filho (PSDB). Se a qualidade dos gastos públicos for representada pelo sol amarelo, ela descolorirá igualmente àquele riscado em uma folha qualquer pela melodia de Aquarela, também marcada pela voz de Toquinho. O motivo são os altos preços registrados pela Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (SEE), após cotação junto a cinco empresas, no âmbito do processo administrativo 1800-009187/2013, ao qual a Gazeta teve acesso. A fase preparatória para a licitação definiu o limite para gastos com dois lotes de materiais escolares em um patamar que permitirá às empresas participantes vender seus itens com valores até R$ 22,1 milhões mais caros que os praticados no mercado varejista. O montante é composto pelos menores valores de itens cotados após autorização da secretária estadual da Educação, Josicleide Moura, indicada para o comando da Secretaria pelo senador Benedito de Lira (PP). E se tal cotação fosse definitiva e a empresa com menor preço fosse contratada, a Fergbras Comércio e Serviços LTDA venderia ao Estado kits escolares R$ 25,2 milhões mais caros que os itens pesquisados durante duas semanas pela reportagem.