Política
Rod�zio de ve�culos em Macei� - II
MACEIÓ PRECISA SE PREPARAR PARA O FUTURO » EDINALDO MARQUES - Engenheiro civil, professor da Ufal e consultor A capacidade de deslocamento de pessoas e bens no espaço urbano de Maceió para a realização das atividades cotidianas em tempo considerado ideal, de modo confortável e seguro, tende a ficar mais complicada. Em janeiro, com as férias e o maior fluxo turístico, é visível a quantidade de veículos nas ruas e avenidas. Depois das férias, com o retorno das aulas escolares no próximo mês, aí é que a situação vai se agravar. Deslocar-se de automóvel em Maceió, excetuando-se domingos, feriados e horários não comerciais, exige quase sempre paciência e perda de tempo. Estatísticas mostram que, enquanto a média de crescimento da frota nacional de veículos entre 2002 e 2012 foi de 110%, aqui em Alagoas, no mesmo período, subiu 169,2%. No caso de Maceió, a situação se complicou em face da desorganização, falta de planejamento, que vem há vários governos, e irresponsabilidade de alguns condutores, que insistem em desrespeitar as leis. Para se buscar uma solução sustentável para o problema do trânsito, a única saída é priorizar o pedestre e o transporte público de massa, com a criação de faixas exclusivas para ônibus, uso de BRTs (trânsito rápido de ônibus) e VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos). Além disso, é preciso ampliar ciclovias, pois a bicicleta é uma importante forma de mobilidade. De hoje até a implantação de novos sistemas coletivos em Maceió integrados a outras modalidades de transportes, vai exigir algum tempo e é preciso buscar alguma alternativa aceitável. Antes que todos fiquem engarrafados, seria importante abrir um canal de debates com a sociedade, a fim de discutir a criação de uma multa social e ?positiva?, isto é, em dias, horários e locais pré-definidos (Avenida Fernandes Lima/Durval de Góes Monteiro, Centro de Maceió etc.), o motorista que circulasse com menos de dois ou três passageiros (a discutir com a população) ? com exceção de táxi, pagaria uma multa ?positiva?. Seria uma forma de estímulo à carona solidária e à redução do número de carros em circulação, uma medida provisória e paliativa aplicada apenas em determinadas vias e horários, enquanto o poder público implanta as melhorias necessárias no sistema de transporte coletivo da cidade, o que não é feito da noite para o dia. Para que isso possa ser aplicado, será preciso não só o debate com a população, como analisar a questão legal, pois o direito de ir e vir é livre, conforme a Constituição. Essa alternativa citada antes evitaria que se pensasse, pelo menos por enquanto, em rodízio de veículos, como é feito em São Paulo. Seria um passo para que, de modo coletivo, governo e sociedade preparassem a Maceió do futuro.