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‘Rolezinhos’ em shopping center - I

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EDUCAÇÃO, LAZER, REDES SOCIAIS E ?ROLEZINHOS? » ALEXSANDRO GERALDO DOS SANTOS. Presidente da Associação de Lojistas do Maceió Shopping, empresário e especialista em varejo Nasci em 1970. Quando criança, minha mãe levava meus irmãos e eu para passear e brincar na Praça do Centenário ou ver o chafariz à noite na Praça dos Martírios. O carnaval era na Praça Lucena Maranhão em Bebedouro e o Natal, na Praça da Faculdade. Depois de muito nos divertir com os equipamentos disponíveis, comprávamos balas e gibis na banca de revista e íamos para casa superfelizes. Nos anos 1980, estudei na Escola Princesa Isabel, no Cepa. As aulas eram no turno da manhã e o período da tarde era preenchido por disciplinas paradidáticas como: Técnicas Agrícolas, onde aprendi a plantar, colher e a respeitar o meio ambiente; Educação Para o Lar, onde aprendi a cozinhar, costurar botão, fazer a barra da calça e ajudar minha mãe nas tarefas domésticas; Técnicas Comerciais, onde aprendi a preencher cheques, nota fiscal e entender como o comércio funciona e; Técnicas Industriais, onde aprendi a fazer instalações elétricas, ferramentas e entender a indústria. Estudávamos comunicação e interpretação, cheguei a me apresentar no Teatro Linda Mascarenhas. Tudo isso antes dos 14 anos! Quando eu era jovem (e sobrava tempo), nós também marcávamos (por telefone) nossos ?rolezinhos? em frente a Lobrás e depois íamos ao Cinema São Luiz. O fenômeno é o mesmo, o que muda é a dinâmica. A garotada marca pela internet e se encontra nos shoppings. Os shoppings centers se tornaram as praças do mundo moderno. As pessoas se sentem seguras e confortáveis para comprar, acessar serviços e se encontrarem. Os pais sabem que podem deixar seus filhos no shopping e apanhá-los mais tarde com segurança. O jovem tem muita energia e disposição, precisa se ocupar para extravasar esta energia. Mas como anda nossa educação pública? As escolas dão atendimento em tempo integral? Ainda temos estrutura em nossas praças para o lazer? É seguro deixar os filhos em espaços públicos? O que nós observamos são as partes defendendo seus direitos isoladamente, sem se preocupar em solucionar o problema. Os shoppings e lojistas defendendo seu direito de comercializar seus produtos com tranquilidade (e com razão). Os jovens defendendo seu direito de ir e vir (e com razão). Mas quando esses direitos entram em conflito, o que fazer? Como professor de Negociação, sugiro uma discussão ampla e irrestrita entre as partes. Acredito que em todo conflito existem pontos que divergem e pontos que convergem. Devemos nos focar nos pontos que convergem, sentar à mesa e construir uma solução duradoura. Ou corremos o risco de criar um ?rolezão?. Espero também que o poder público se volte para a educação pública integral e de qualidade e disponibilize espaços públicos de lazer para que eu possa levar meus filhos para brincar, comprar balas e gibis; e ir para casa felizes.

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