Política
A REALIDADE DO TRANSPORTE URBANO EM MACEI�
O transporte urbano de passageiros de Maceió opera com uma tarifa abaixo da média nacional, ou seja, uma tarifa de R$ 2,30 enquanto que a tarifa média brasileira encontra-se em R$ 3,00. As empresas passam por um momento de grande dificuldade financeira, pois não conseguem cobrir os seus custos operacionais. Enfrentam a concorrência dos clandestinos e dos complementares da Arsal, que são ?autorizados? a transportar passageiros dentro dos limites de nosso município. O resultado disso tudo é a redução da demanda de passageiros pagantes no sistema de transporte público em Maceió, que hoje está em menos de sete milhões de passageiros. Aliado a todas essas questões, ainda estamos passando por vários reajustes nos preços dos insumos do transporte (óleo diesel, pneus, peças e acessórios,) e também o reajuste de preços dos chassis e carrocerias. Todas essas variantes fizeram com que a tarifa técnica de Maceió chaga-se ao valor de R$ 2,73. É óbvio que a população não poderá suportar tal reajuste na tarifa de transporte, uma vez que este consome uma fatia significativa do salário do usuário/cliente. O poder concedente precisa achar uma saída para essa armadilha em que se encontra o transporte público. Se por um lado a população não pode suportar novos reajustes tarifários, as empresas não podem continuar operando com tantas defasagens entre os custos e a receita. Maceió tem o pior IPk (índice de passageiro equivalente por quilômetro rodado) da região Nordeste com 1,64, enquanto que Natal é 1,90; Aracaju é 1,99 e Fortaleza 2,06. Outra que é preciso discutir todos os anos é o dissídio coletivo da classe rodoviária, que, com todo direito, reivindica reajustes salariais e benefícios concedidos, tais como: tíquete alimentação, seguro de vida em grupo etc. ? a mão de obra representa mais de 50% dos custos operacionais do sistema de transporte. O poder público pode auxiliar na redução desses custos ao atuar na fiscalização do sistema de transporte e na redução da carga tributária. O governo estadual participaria da desoneração com duas conquistas importantes: 1) o pagamento do vale-transporte para as categorias que utilizam o transporte de forma gratuita; 2) a redução da alíquota do ICMS para as empresas operadoras do transporte urbano, tanto para o óleo diesel, como para os chassis e carrocerias, itens esses que têm um peso significativo na composição da tarifa; e um terceiro, mas não menos importante passo, seria a isenção do IPVA para os ônibus. Essas medidas possibilitariam a prática de uma tarifa bem próxima da média nacional e faria bem para todos os lados envolvidos na questão. A população usuária teria uma tarifa bem próxima da realidade social, as empresas operadoras poderiam manter o equilíbrio financeiro com níveis aceitáveis na qualidade do serviço e o poder público estaria demonstrando sua vontade de ser mediador entre as necessidades de deslocamento de sua população e os interesses do capital privado, que atua na prestação desse serviço tão essencial para o pleno exercício da cidadania.