Política
TRANSPORTE P�BLICO COM EMPRESA P�BLICA!
Todos os anos, nós, usuários do sistema de transporte público de Maceió, nos deparamos com a mesma notícia: o aumento do preço da passagem de ônibus. Era sempre da mesma forma: a organização dos empresários do setor (Transpal) anunciava que não tinha como continuar oferecendo o serviço, pois as empresas estariam oferecendo o serviço no prejuízo. Porém, elas apresentam uma tabela de custos confusa sem esclarecer o quanto cada trecho e/ou rota tem de passageiros, ficando as informações essenciais para a discussão somente nas mãos das empresas, e não do poder público, que não realiza a pesquisa de sobe/desce há mais de 20 anos. Entre os pontos em que os empresários elencam para justificar o aumento nunca estão inclusas as condições financeiras das famílias que vivem em Maceió. Segundo a pesquisa realizada, para a construção do Plano Diretor da capital, denominada de Documento de Informações básicas do ano de 2005, a realidade da renda familiar local é extremamente baixa, sendo 32% a proporção de famílias que vivem com menos de um salário mínimo e 12,9% as que não têm renda. Isto significa que, com esta renda, muitas pessoas não conseguem pagar o valor do transporte coletivo, tendo que muitas vezes, como falam popularmente, ?maiá?, ou seja, subir pela porta de trás do veículo ou pular a catraca. Além disso, o aviso de aumentar a passagem está ligado à melhora do serviço do transporte coletivo, mas quem utiliza este serviço diariamente sente os ônibus lotados, a espera demorada nos pontos de ônibus, frotas com condições precárias, passando do prazo máximo de utilização de 5 anos, e a falta de higiene/limpeza nos ônibus, além de funcionários sem treinamento adequado para o tratamento com os usuários. Isto demonstra o quanto o reajuste da passagem só beneficia os empresários, com o aumento de seus lucros. A população indignada, no qual vivencia esta realidade citada acima, foi às ruas em junho de 2013 reivindicar pelo não aumento das passagens, conquistando em vários estados brasileiros, inclusive em Maceió, o congelamento do preço da tarifa, e em Arapiraca a redução do valor da passagem. Em Vitória, no Espírito Santo, conquistaram o passe livre, bem como em João Pessoa, na Paraíba. Para solucionar pautas históricas ? passe livre estudantil, tarifa zero, qualidade no transporte e a garantia dos direitos trabalhistas dos rodoviários ?, defendemos a criação de uma empresa pública para gerir o transporte coletivo de Maceió. Mudar a direção da discussão do aumento da passagem para a efetivação da municipalização do transporte público.