Política
Vilela deve ser processado ap�s concluir mandato
A denúncia do Ministério Público Federal (MPF) baseada nas investigações que resultaram na Operação Navalha, em maio de 2007, foi entregue ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) um ano depois, e incluiu o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) como acusado de integrar uma organização criminosa que fraudou a liberação de recursos para obras públicas financiadas pela União. Dois meses depois, em julho de 2008, deputados estaduais desautorizaram o STJ a processar e julgar o governador, pelas acusações de ter recebido R$ 500 mil de propina e cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato e de três eventos de corrupção passiva. Mas a conclusão do segundo mandato de Vilela trará como inevitável a queda do manto protetor do foro privilegiado e de um Legislativo Estadual que foi e continua sendo submisso, por utilizar e manter vigente na Constituição Estadual dispositivos que livraram Vilela da Justiça: o artigo 79, inciso I, e o artigo 110. Em Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4766), que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), o ato que protege Vilela até hoje é chamado de ?anomalia? pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e de ?manobra imoral? pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Mesmo com a Navalha ?enferrujada? pelo esquecimento da opinião pública, o fio da espada de Têmis ? que simboliza a Justiça na mitologia grega ? pode atingir a vida pública do governador, se o peso das evidências contra o tucano for maior do que a defesa de seus advogados na balança que a divindade mitológica segura na outra mão. Vilela anunciou ter desistido de disputar o Senado Federal e manter o foro privilegiado, se fosse eleito. Uma demonstração de confiança na inocência, ou de que já tem bem articulada sua ida para o Tribunal de Contas da União (TCU), como já chegou a ser especulada nos bastidores da política alagoana.