Política
Acusados de atentado v�o a j�ri ap�s 10 anos
Seis pessoas vão a júri popular na próxima quarta-feira acusadas pela tentativa de assassinato do ex-deputado estadual Cícero Ferro, em janeiro de 2004. Mas, segundo a assistência de acusação, os réus não devem comparecer. ?Até hoje, nunca compareceram a nenhum ato do processo?, diz o advogado Welton Roberto, de um dos três escritórios de advocacia que funcionarão como assistentes de acusação. Ele diz ainda considerar estranho que a Justiça tenha concedido habeas corpus a todos há dois anos. ?Passou-se esse tempo todo, dez anos, sem se ouvir a versão da defesa. E vamos demonstrar que não há nos autos elementos seguros para se afirmar que houve um atentado. O que houve foram dois tiroteios em momentos distintos?, diz o advogado de defesa, Raimundo Palmeira. Ele disse que o principal acusado, José Ilton Cardoso Ferro (conhecido como José Nilton), comparecerá à sessão do júri e que espera que todos compareçam. Serão julgados, além de José Ilton, Wagner Macedo Cardoso Ferro e os irmãos Wanderley e Waldeck, filhos de José Ilton; e o sobrinho dele, Jackson Cardoso Ferro. O júri foi desaforado ? na linguagem jurídica, a transferência do lugar onde será realizado o julgamento. Isso é comum em caso de tanto o acusado quanto a vítima terem forte influência no local de origem e, por meio de poder econômico, político ou de intimidação, influenciar a decisão dos jurados ou intimidá-los. Originalmente, deveria ser na comarca local. Mas acabou transferido para Maceió. O CRIME O episódio aconteceu em Minador do Negrão, cidade entre o Agreste e Sertão de Alagoas, na região de Palmeira dos Índios, em 31 de janeiro de 2004. Um dos aspectos que chamaram a atenção pela violência foi a quantidade de balas: a caminhonete em que viajava o ex-deputado acabou com 150 perfurações. O próprio Cícero Ferro levou oito tiros, alguns na cabeça, causando perfurações no crânio e no maxilar. Ele passou mais de um mês internado.