Política
A DEMAGOGIA N�O FOI AO JACINTINHO COM EDUARDO TAVARES
Hostilizado na Jatiúca na manhã de ontem, quando chegou ao local do latrocínio que vitimou o proprietário da Choparia Maikai, Guilherme Paes Brandão, o secretário da Defesa Social, Eduardo Tavares, reagiu afirmando que aquele tipo de manifestação popular não ocorre quando matam alguém no Jacintinho. ?Toda vez que acontece um crime que envolve uma pessoa conhecida da sociedade, isso ocorre. Quando morre alguém no Jacintinho, ninguém faz isso. Mas quando uma pessoa da sociedade é vítima, é normal que aconteça esse tipo de manifestação, porque a mesma sensação de insegurança que abate os familiares da vítima abate a sociedade?, filosofou um desconfortável secretário, apressado para se livrar da presença das vaias e dos xingamentos de um grupo de quase cinquenta pessoas. Há um mês no cargo, Tavares fala com propriedade sobre o assunto, apesar de ignorar que no meio daquela multidão havia, além de cidadãos indignados, as almas feridas de amigos e familiares do empreendedor que acabara de tomar um tiro. Realmente, não haveria tanta revolta no Jacintinho. Mas também o titular da Defesa Social, certamente, não estaria, lá, sendo pressionado pela urgência de solucionar o caso. Talvez não nomeasse um delegado especial após tão poucos minutos da ocorrência. São dois pesos e duas medidas. E Tavares sabe disso. Já era mesmo diferente em 2013, quando cerca de 80 mortes violentas ocorreram no Jacintinho. Não se tem notícia de uma chegada tão apressada do ex-secretário Dário Cesar a uma cena de crime naquele bairro da periferia ou em qualquer uma das tragédias diárias que matam a capacidade de reação cidadã da população mais carente. Ninguém do núcleo de poder do Executivo, Legislativo ou Judiciário apareceu lá para ser vaiado, claro. E segundo dirigentes do Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol), talvez nem delegado tenha estado nas cenas de crimes que vitimaram 825 maceioenses em 2013. Porque é da cultura de grande parte dos delegados ? apinhados de inquéritos e de vícios do coronelismo ? não estar à frente das investigações que não repercutem no noticiário ou nos anseios da falsa elite alagoana. O próprio Eduardo Tavares não se apressou em ir até a Rua Tenente Brasil, quando três jovens entre 21 e 28 anos foram assassinados no Jacintinho, há duas semanas. Ao contrário do provável único tiro fatal que atingiu o empresário da área nobre, uma chuva de balas marcou o trucidamento naquele bairro periférico. As vítimas foram Jailson José Ezequiel, 21, atingido por dois tiros no tórax; Diogo Fernando Mendonça, 28; e Luciano dos Santos Nascimento, 21, executado por sete tiros. Eram 20h30 e nada de secretário, vaia ou designação instantânea de delegado especial. Realmente, secretário. No Jacintinho é, foi e seria diferente. E o senhor tem a missão de mudar esse quadro. Mas crédito de confiança a sociedade não está disposta a dar. Porque, como chegou a colocar um dos manifestantes: ?Crédito de quantos corpos, secretário??.