Política
Deputado critica Lula por mudar discurso
?O presidente Lula ainda não entendeu que ele não é mais o estilingue nem a pedra. Ele agora é a vidraça.? A declaração é do deputado Francisco Carvalho, o Chicão (PSDB), em resposta às críticas feitas pelo presidente eleito da República, Luiz Inácio Lula da Silva, à política de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). As críticas foram feitas, na última semana, na primeira viagem internacional de Lula ? à Argentina ?, como presidente eleito do Brasil. Em seu discurso, Lula teceu o seguinte comentário a respeito das administrações de FHC e também do presidente argentino, Carlos Menem: ?Nos últimos anos, opções econômicas e políticas equivocadas, que não estavam de acordo com o interesse nacional, nos conduziram a sucessivas crises?. O deputado Chicão rebateu as críticas, afirmando que Luiz Inácio Lula da Silva não é mais oposição e sim governo. ?Como governo, ele é quem vai comandar os destinos do Brasil, pelos próximos quatro anos. Não adianta ficar procurando motivos nem desculpas para a situação do País. Ele agora tem de buscar soluções fáceis, como eles imaginavam. Era muito fácil, para o PT, na época em que era oposição, mostrar as soluções, mas e agora, o que aconteceu? As soluções não existem mais??, questionou o parlamentar. Ele citou que o discurso do PT para o salário mínimo já mudou. ?Já não é mais de U$S 100, que foi o grande discurso do deputado Paulo Paim, em três mandatos. Mas ninguém U$S 100. Sabe por quê? Porque o salário mínimo nesse valor inviabiliza prefeituras e a própria presidência da República. Qual o governo que não quer dar aumento aos funcionários? Todo mundo quer, pois política se faz com boas notícias?, declarou. Aumento O deputado do PSDB lembrou, ainda, a questão do funcionalismo público federal, tão discutida pela oposição, durante o governo FHC. ?Hoje, ninguém fala em dar aumento ao funcionário público. E a gente sabe que uma grande facção do PT vem do funcionalismo público federal. Outra coisa é que o PT votou contra o Fundef e contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, na Câmara Federal, mas nem por isso o PSDB vai fazer oposição sistemática ao PT, do mesmo jeito que recebeu, ao longo de oito anos. Seria muito fácil, por exemplo, o PSDB reapresentar todos os projetos que o PT fez nesses oito anos. Como se comportaria o PT se esses projetos fossem reapresentados? Com certeza eles iam ter de votar contra?. Outro questionamento fei-to pelo deputado Chicão foi sobre o relacionamento do governo com o Movimento Sem Terra (MST). ?Como o PT vai se relacionar com o MST, um movimento que foi criado dentro das hostes do PT e que hoje não tem mais controle e já disse que só vai dar um prazo de 90 dias ao novo governo? Tudo isso eu, como líder do PSDB e como brasileiro, espero que o governo consiga resolver. Espero que dê certo. Embora, intimamente, não acredito. Espero, mas não acredito?, enfatizou. Com relação ao projeto de combate à fome, que o presidente Lula afirmou ser uma prioridade em seu governo, Chicão disse que já foi iniciado. ?Começou com a distribuição do Bolsa-Renda, Bolsa-Alimentação. Tudo isso é projeto de combate à fome. Eu espero que o novo presidente não só mantenha esses projetos, como faça uma grande ampliação?, observou. O parlamentar aproveitou a ocasião para comentar a saída do vice-prefeito de Maceió, Alberto Sexta Feira, do PSDB, para ir para o PSB, partido do governador de Alagoas, Ronaldo Lessa. ?Como amigo dele, o aconselhei a não sair do PSDB. Mas eu tenho que respeitar as opiniões e os desejos de amigos. Na cabeça do Sexta Feira, ele fez a melhor escolha. Digo, porém, que foi uma grande perda, mas espero que ele seja feliz no PSB?, afirmou, acrescentando que só pretende deixar o PSDB quando o partido acabar. ?Como a política é dinâmica, às vezes a pessoa muda de opinião, ao longo do tempo, por fatos que acontecem na vida política. Isso pode ter acontecido com ele?, finalizou.