Política
Servidores t�m sigilos quebrados
A Justiça de Alagoas determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 105 servidores da Assembleia Legislativa Estadual (ALE) que recebiam valores altos e diversas vezes por meio de depósito bancário em suas contas pessoais. A decisão foi tomada na semana passada, mas só foi confirmada ontem pelo Tribunal de Justiça (TJ) e pelo Ministério Público Estadual (MPE), que fez o pedido após analisar extratos de transações bancárias fornecidos pela Caixa Econômica Federal (CEF). A papelada que veio do banco foi entregue no ano passado ao MPE pelo deputado João Henrique Caldas (SDD), quando denúncias de irregularidades na folha de pagamento do Legislativo tiveram repercussão até nacionalmente. Dentre os indícios encontrados, funcionários ?laranjas? movimentavam milhares em reais nas contas e, de acordo com a investigação, eram pagos por isso. Entretanto, não tinham o direito de ficar com quase nada. O valor mais alto era repassado a um deputado estadual do qual tinham uma relação mais estreita. O pedido pela quebra do sigilo foi feito pelo Ministério Público em fevereiro deste ano, justamente no mês em que os dois poderes travavam uma batalha de discussões a respeito da Lei Orçamentária Anual (LOA). A apuração do grupo de promotores teve a necessidade de juntada de mais provas e o apelo judicial foi providenciado. Juízes da primeira instância foram os responsáveis por acatar os argumentos do MPE e proferir a sentença. TETO De acordo com a investigação, essa centena de servidores está sendo alvo agora por ter recebido vários depósitos, em valores altos, em curto espaço de tempo. O montante mensal passava do limite do teto constitucional. Chamou a atenção dos promotores e procuradores a quantidade de transações bancárias sem motivação. E a mecânica dos depósitos, segundo os investigadores, é a mesma da que foi detectada na deflagração da Operação Taturana, que identificou um rombo de mais de R$ 300 milhões dos cofres da ALE.