Política
Den�ncias de tortura afastam monitores
Quarenta e seis monitores de unidades de internação de jovens em conflito com a lei de Alagoas foram afastados de suas funções após serem acusados de torturar adolescentes internados. Segundo a juíza Ana Cristina Borba Alves, os afastamentos atendem a decisões judiciais ou a pedidos do Ministério Público ou da Defensoria Pública de Alagoas. A magistrada coordena desde a última segunda-feira o Mutirão, Eficiência e Socioeducação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no estado, onde visitou as cinco unidades de internação de Maceió. As denúncias figurarão no relatório final dos trabalhos. ?Foram produzidos laudos de corpo de delito que comprovam a prática de tortura por parte de 18 dos 46 monitores afastados. Nesses casos, há comprovação material das agressões em procedimentos instaurados pelo Ministério Público e pela Defensoria Pública, que lutam incessantemente contra a tortura?, afirmou a juíza designada pelo CNJ para verificar a situação do sistema socioeducativo de Alagoas. De acordo com os relatos feitos pelos internos à magistrada, eles foram agredidos com socos, chutes e golpes de vassoura. Segundo relatos, ainda sob investigação pelo Ministério Público e pela Defensoria, um grupo de monitores mascarados invadiu os alojamentos onde os jovens dormiam e os agrediram. A tortura teria acontecido um dia após o presidente do CNJ, ministro Joaquim Barbosa, visitar as unidades de internação de Maceió, em 15 de abril. ?Apesar de os monitores estarem escondidos sob toucas ninjas, os jovens agredidos reconheceram alguns deles pela voz e pelos olhos?, disse a juíza.