Política
SEM PLANEJAMENTO, CANAL DO SERT�O VIRA GAMBIARRA
Inhapi, Água Branca e Delmiro Gouveia ? Maior obra de infraestrutura realizada nos últimos tempos, redenção do Sertão, solução milagrosa para a exclusão social dos bolsões de miséria do estado. Ao longo dos anos, assim foi batizado o empreendimento mais caro e ambicioso da história recente de Alagoas ? o Canal do Sertão. Este governo conseguiu a proeza de captar R$ 1 bilhão da União e levar água por 65 quilômetros de uma área paupérrima e escassa de tudo. O problema é que não houve planejamento para colocar o projeto em funcionamento ? não há energia elétrica nem adutoras para levar a água para a casa das pessoas, assistência técnica para ensinar o agricultor a fazer irrigação, nem estação de tratamento para que a água seja boa de beber. Agora, um ano depois de entregue o primeiro trecho, o que se vê às margens da imensa lâmina d?água que corta três municípios é a triste ineficácia para libertar o povo sertanejo da água suja do barreiro, do carro-pipa e da insignificante produção de suas lavouras. A reportagem da Gazeta de Alagoas percorreu os 65 quilômetros entregues pelo governo nos municípios de Inhapi, Água Branca e Delmiro Gouveia. As situações encontradas no percurso ao longo do Canal do Sertão revelaram a total ausência de preparo estatal para colocar o empreendimento em operação e que a única preocupação parece ter sido a de concluir a obra de engenharia. A imponência do empreendimento é imensamente contrastante com a incapacidade de melhorar minimamente a vida das pessoas que passaram três décadas esperando pelo projeto, que teve seu primeiro trecho entregue em março de 2013, e quatorze meses depois funciona de forma improvisada em todas as suas finalidades, numa espécie de ?gambiarra? social e econômica. DESTINO NEBULOSO Embora tenha tido oito anos para construir o primeiro trecho, o governo do Estado não pensou no que fazer com o Canal quando ele estivesse pronto. Não há projeto de viabilidade social ou sustentabilidade econômica. Além disso, a própria finalidade do empreendimento ? se será para abastecimento humano ou para irrigação ? ainda segue nebulosa. O resultado disso é a total esquizofrenia no uso do projeto hídrico. Para começar, o Canal do Sertão da forma que está hoje não pode matar a sede do sertanejo porque sua água tem um nível de coliformes fecais acima do que é apropriado para beber. Como não há estações de tratamento, a água não tem qualidade. Essa falha no projeto pode se tornar um sério problema de saúde pública, como foi visto no surto de diarreia provocado pelos carros-pipa, que acabou em morte.