Política
CANAL DO SERT�O PRODUZ SUA PRIMEIRA FAVELA
Inhapi, Água Branca e Delmiro Gouveia ? Um triste efeito colateral. Sem clareza de sua finalidade, para o quê e para quem se destina, o Canal do Sertão já produziu sua primeira favela. Desde novembro do ano passado, 280 famílias integrantes do MST migraram de algumas cidades próximas para uma área às margens do projeto hídrico. Eles dizem terem sido informados de uma promessa de ganhar um lote dos perímetros irrigados e agora cobram do Estado a sua parte. A ambiciosa e complexa obra de engenharia ganhou como vizinho o verdadeiro retrato da miséria. Dezenas de barracos de lona, rodeados de sacos plásticos e restos de comida ocupam as margens do canal sem data para saída. A sujeira levada pelo vento já pode ser vista dentro da água. Pequenas lavouras de milho, feijão e macaxeira crescem ao lado de banheiros improvisados. José Soares, pai de cinco filhos, saiu de sua casa em Inhapi para tentar ganhar um pedaço de terra irrigada no trecho do canal em Água Branca. Após cinco meses de espera e algumas promessas do governo, ele já pensa em desistir e voltar para a periferia na zona urbana. ?Comprei bomba de cisterna, fiz uma ligação para puxar a água do canal para a minha plantação de couve, coentro, alface e cebola. Meu sonho é ter tudo isso num sítio, mas estou vendo que não vou conseguir nada. Pobre não tem boa sorte?, diz. A líder do acampamento, Silvânia Soares, conta que o grupo está ali para reivindicar os dois mil hectares que teriam sido prometidos pelo governo do Estado numa reunião na Câmara de Vereadores de Água Branca em novembro do ano passado, na presença do Incra.