Política
Lula escolhe deputado eleito pelo PSDB para presidir BC
Brasília ? O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou oficialmente a indicação do deputado eleito Henrique Meirelles (PSDB-GO) para presidente do Banco Central. Lula aproveitou a entrevista para confirmar Antônio Palocci no Ministério da Fazenda e anunciar o presidente licenciado do PT, José Dirceu, na Casa Civil. Ele pediu licença aos eleitores de Meirelles para levar o ex-banqueiro para o BC. O tucano foi o deputado federal mais votado de Goiás na eleição passada, com 183.046 votos. O presidente eleito também agradeceu os esforços do atual presidente do BC, Armínio Fraga, na transição. Apesar de filiado ao PSDB, Meirelles tem bom trânsito no PT. Ele teve conversas com Lula antes do início da campanha e já trabalhou em parceria com o partido nos tempos em que morou em São Paulo. É militante do movimento ?Viva o Centro de São Paulo? e do ?Projeto Travessia?, que consiste numa parceria de empresários, bancos e sindicatos para assistência a crianças de rua. Meirelles reúne as características exigidas pelo PT para o cargo. Tido como um dos brasileiros mais bem sucedidos no mercado internacional, ele fez carreira no BankBoston, onde assumiu a presidência mundial. Só se afastou do banco em agosto deste ano, para se candidatar a deputado federal. Ele é admirado por José Dirceu e é amigo do deputado Aloizio Mercadante, senador mais votado de São Paulo. Durante a campanha eleitoral, manteve vários encontros com as lideranças do PT. Repercussão O presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Gabriel Jorge Ferreira, disse que a indicação de Henrique Meirelles foi ?muito bem recebida? pelo setor financeiro. Sobre o fato de Meirelles ter um perfil mais administrativo do que técnico, Ferreira disse que ele reúne condições técnicas para comandar o BC e que contará com uma equipe para auxiliá-lo na área operacional. Para o presidente da Companhia Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, Meirelles é um bom nome para a presidência do Banco Central. Agnelli afirmou que o futuro presidente do BC tem um bom currículo e condições para conduzir bem o BC. Segundo Agnelli, experiência na área internacional é fundamental para um presidente do BC. ?E isso Meirelles tem?, comentou. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva se revelou otimista com a indicação de Meirelles para o BC. Para ele, um grande conhecedor dos mecanismos de crédito internacional, que vai ajudar o país a ter melhores condições de financiamento externo. Disse que Meirelles será um dos fatores do sucesso da futura equipe econômica. ### Novo presidente do BC quer equipe com preparo técnico São Paulo ? O novo presidente do Banco Central disse que vai priorizar o ?preparo técnico? para escolher os futuros diretores do banco. Embora não tenha dado nomes, ele falou que enquanto trabalhou no BankBoston formou uma ?excelente equipe?, que deve ser lembrada, possivelmente na composição da diretoria do BC. Meirelles evitou comentar possíveis medidas que tomará em relação às políticas de juros e metas de inflação. Disse que deixará essas respostas para sua sabatina no Senado, que deve ocorrer até o final da próxima semana. O novo presidente do BC disse que a reação do mercado à escolha de seu nome está ?dentro das expectativas?. Questionado sobre o pessimismo com que foi recebido por parte do mercado ? dólar subiu 0,39% e terminou a R$ 3,79; o Ibovespa recua mais de 0,20% ? afirmou que se trata ainda de um ?movimento de superfície? e não problemas nos ?fundamentos da economia?. O deputado Aloizio Mercadante (PT-SP) afirmou que a diretoria atual do Banco Central permanecerá em suas funções ?o tempo que for necessário?. Ontem o atual presidente do BC, Armínio Fraga, confirmou em nota que seus diretores permanecerão nos primeiros dias do governo Lula para garantir uma ?transição ordenada?. Reação tucana A indicação de Meirelles teve reação imediata dos otucanos. O deputado federal Arnaldo Madeira (PSDB-SP), líder do governo na Câmara, defendeu sua desfiliação do partido. Para ele, as urnas deram um sinal claro de que a população ?não deseja? a presença do PSDB no governo. O próprio Meirelles disse ontem que deverá se desligar da sigla. Apesar dele se antecipar, Madeira afirmou que, se necessário, o partido vai desfiliá-lo. ?Com isso, não faz sentido um integrante do partido aceitar um cargo na futura administração. Se ele não se desfiliar, acho que caberá ao partido fazê-lo?, declarou Segundo o texto da Constituição Federal, Meirelles não poderá assumir o cargo para o qual foi eleito, já que é proibido funcionários de autarquias que podem ser demitidos ad nuto (a qualquer momento) exercer mandatos políticos. O cargo de presidente do BC, segundo a legislação, não tem status de ministro de Estado. Logo, Meirelles será um funcionário do órgão em cargo de comissão.