Política
Descriminaliza��o da maconha - II
NÃO À LEGALIZAÇÃO DA MACONHA » RICARDO MENEZES - Delegado adjunto da Delegacia de Repressão ao Narcotráfico (DRN) O tema da ?legalização das drogas? sempre foi polêmico, principalmente desde 2011, quando o STF liberou a realização dos eventos chamados ?Marcha da Maconha?. Muito se discute a respeito, com especialistas debatendo a legalização do uso da maconha, mas os argumentos quase sempre giram em torno do controle policial repressivo, os prejuízos para a saúde e a facilitação para o consumo de outras drogas, pouco ou nada se ouve sobre a realidade social das periferias. Sou contra a legalização do uso da maconha porque, desde que me tornei policial em 2002, sempre lidei diretamente com o combate ao tráfico de drogas, antes como inspetor de polícia da Core do Rio de Janeiro e agora como Delegado da DRN de Maceió. Minha experiência profissional me permitiu testemunhar a destruição causada pelas drogas, em especial pela maconha, à juventude e às famílias das comunidades carentes, onde quase que diariamente realizamos operações. Afirmo que esta destruição é causada em especial pela maconha, porque, entre as drogas ilícitas, ela é a de mais fácil acesso, se tornando a ?porta de entrada? para o mundo das drogas. Através da maconha, o jovem inicia seu vício, e a partir daí segue ?ladeira abaixo?, começando pelo desinteresse na escola, alguns chegando a largar os estudos, seguindo com uso de drogas mais nocivas, e até o momento onde começa a cometer crimes, como roubos e furtos, para sustentar o vício, muitos deixando de ser apenas usuários e se envolvendo diretamente com o tráfico propriamente dito. As ?Marchas da Maconha? geralmente ocorrem nas orlas e vias principais das capitais, nunca nas periferias ou bairros mais afastados. Não vejo ?Marchas da Maconha? nos bairros do Vergel ou no Benedito Bentes. Quem mora nas grotas e favelas sabe que a legalização da maconha não trará nenhum benefício a eles. Irá permitir o consumo recreativo por uma minoria nas áreas nobres das grandes cidades, sem medo da repressão policial, mas para a mãe ou o pai que luta para afastar seu filho das drogas e do vício só irá tornar a batalha mais difícil. Com a legalização, o jovem vai responder aos seus pais: ?Mas pai/mãe, agora a maconha tá liberada!?, e o que os pais poderão dizer, se o próprio governo tiver legalizado? Difícil resposta. Muitos que defendem a legalização da maconha criticam o atual modelo de combate às drogas, dizendo que apenas a repressão não resolve. A repressão policial é importante e cumpre seu papel, inibindo o consumo e o tráfico, sendo ainda o único meio respeitado pelos usuários e traficantes, que a cada dia se mostram mais abusados, querendo a todo momento afrontar a sociedade, tanto na grota quanto na orla. A ação policial também é pautada na prevenção com ações sociais, e trabalha tanto para impedir que a droga chegue ao nosso estado, quanto para desarticular as quadrilhas, atingindo-as onde mais dói, no bolso, apreendendo os bens de seus integrantes e lhes tirando o poder financeiro. Concluindo, a legalização da maconha não irá trazer nenhum benefício à sociedade, apenas prejuízos, dificultando ainda mais o trabalho policial e a luta de pais e mães para afastarem seus filhos das drogas.