Política
Movimentos sociais discordam de medida antibloqueio de rodovias
A determinação do Ministério Público Estadual (MP/AL) para impedir o fechamento de ruas e rodovias durante manifestações populares por meio de uma ação mais incisiva da Polícia Militar foi muito mal recebida por boa parte dos movimentos sociais de Alagoas. Para lideranças e integrantes desses grupos, a mudança na abordagem vai incitar a violência contra os manifestantes e é uma ameaça ao direito da população protestar. A medida foi tomada pelo órgão na última sexta-feira após um protesto que obstruiu por horas um trecho da BR-316 no povoado de Pescaria. O ofício assinado pelo procurador-geral de Justiça, Sérgio Jucá, foi dirigido ao comando-geral da PM determinando a adoção de medidas que evitem o fechamento de vias e até prisão em flagrante de quem se recusar a cumprir a ordem. O argumento do MP é o ferimento ao direito de circulação, uma garantia constitucional. O coordenador do Movimento Via do Trabalho (MVT), Marcos Antônio da Silva, o Marrom, que lidera recorrentes manifestações que acabam bloqueando vias, repudia e acredita que ela é um estímulo à truculência contra as manifestações populares. ?Foi uma surpresa ver que o MP, que tem o papel de fiscalizar e cobrar atitudes do poder público para melhorar a vida da população, tomar essa atitude que incentiva a polícia a bater em trabalhador. Cadê a liberdade de expressão??, questiona. Para ele, a determinação não surtirá efeito benéfico nem vai inibir os movimentos sociais. ?Vamos continuar ocupando terras, terrenos baldios e protestando nas ruas. O confronto não vai nos intimidar?, avisa Marrom.