Política
Ex-laborat�rio modelo, Lifal est� parado h� quatro anos
O matagal em sua volta, um único carro velho plotado com o nome da empresa e a estrutura carcomida de sua área administrativa são as evidências visíveis de que o Laboratório Farmacêutico de Alagoas S.A. (Lifal) deixou de vez para trás os tempos em que era visto como um modelo a ser seguido. A fábrica que chegou a produzir 28 medicamentos e já teve cerca de 300 funcionários está parada há quatro anos enquanto os 69 servidores que ficaram assistem, desesperançados, à sua decadência. O laboratório farmacêutico oficial de Alagoas enfrentou a mesma crise externa que os de outros Estados entre o final dos anos 90 e início do governo Lula com a necessidade de aumento da competitividade e grau de excelência exigidos por mudanças na política do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os tempos de protecionismo deram lugar à livre concorrência, à necessidade de mudança na gestão, bem como de mais investimentos em modernização e treinamento. Estados como Bahia e Pernambuco caíram e levantaram com o ressurgimento de laboratórios oficiais fortes, ?agressivos? e inovadores. Alagoas não absorveu o impacto da ?porrada? dos novos tempos e caiu de vez. As trocas sucessivas de diretores, o despreparo técnico dos mesmos em relação à indústria farmacêutica e a ausência de estratégia de gestão e de prioridade por parte do governo enterraram de vez o antigo laboratório modelo que, além de cumprir sua função social abastecendo todas as prefeituras do interior do estado com medicação básica e barata para a população, ainda produzia remédios de alto valor agregado, como os retrovirais do coquetel anti-HIV para todo o País. A diretora técnica e industrial do Lifal, Vânia Rocha, explica que a gestão Vilela encontrou uma situação de crise já criada pelo mercado por conta dos registros sanitários. ?A Anvisa começou a nortear vários medicamentos e, a cada cinco anos, tornou-se necessário renovar cada registro. Todos produzidos no Lifal eram similares, mas aí veio a política dos genéricos, o que implicava em estudos caros e investimentos para adequação ao mercado?, afirma.