Política
Presidente eleito � diplomado no TSE
Brasília - Marcado por quatro campanhas eleitorais em que sua falta de diploma de curso de nível superior era apontada como exemplo de despreparo, Luiz Inácio Lula da Silva chorou e antecipou o fim de seu discurso, ao ser diplomado, nesse sábado, o 37º presidente da República, o primeiro sem formação universitária da história do Brasil. ?Se havia alguém no Brasil que duvidava que um torneiro mecânico...[interrompe com a voz embargada], saído de uma fábrica, ...chegasse à Presidência da República, 2002 provou exatamente o contrário...[chora e é aplaudido]. E eu, que, durante tantas vezes,...fui acusado de não ter um diploma superior, ganho como meu primeiro diploma [chorando], o diploma de presidente da República do meu país´´. Essa parte do discurso foi feita de improviso. Antes, ele havia começado a ler texto curto previamente preparado pela sua assessoria. O cerimonial previa um discurso de cinco minutos. Acabou durando quatro minutos e meio. A cerimônia de diplomação - o reconhecimento oficial da vitória na eleição - começou às 11h06, na sede do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em Brasília. Lula estava acompanhado da mulher, Marisa Letícia, e dos filhos - todos com estrelas do PT na lapela. Todos choraram ao ouvir o discurso de Lula. O presidente do TSE, Nelson Jobim, abriu a sessão solene no auditório para cerca de 150 pessoas e elogiou os advogados do PT e do PSDB pela forma como se portaram na eleição perante o tribunal. Pediu ainda desculpas pelas filas nos dias de votação. Então foi a vez de Lula falar. O presidente eleito afirmou que, ?em razão do protocolo rígido´´, tinha trazido um discurso escrito para poder respeitar o tempo previsto para sua fala. ?Cinco minutos eu normalmente uso só para dizer que estou concluindo e falo depois por mais meia hora´´, declarou, antes de começar a ler. O texto era protocolar e curto: ?Podemos afirmar sem nenhum exagero que o processo eleitoral brasileiro está entre os mais avançados do mundo´´, discursou, elogiando a votação eletrônica e a ´lisura´´ do processo eleitoral conduzido por Jobim. Lula decidiu improvisar na referência ao diploma e chorou. Nelson Jobim retirou seu lenço do bolso e deu ao presidente eleito, que encerrou sua fala sob aplausos. A quebra do protocolo foi elogiada pelos presentes. ?Isso só mostra a sensibilidade do presidente eleito. É um fato histórico um metalúrgico chegar à Presidência´´, disse o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Marco Aurélio de Mello. ?Não há diploma mais consagrador que esse´´, afirmou o presidente do Congresso, Ramez Tebet. ?É evidente que o diploma conferido por um país, pela grande maioria de uma nação, é melhor que qualquer outro´´, declarou Jobim. ?Isso é acontecimento que mostra que toda nossa história não pode ter sido em vão´´, opinou o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola. Jobim, no encerramento da sessão solene, após Lula e o vice-presidente José Alencar receberem e exibirem seus diplomas, fez deferências especiais ao citar nominalmente, Brizola - por ?ser gaúcho´´, como o presidente do TSE -, o futuro ministro da Casa Civil, José Dirceu, o presidente nacional do PT, José Genoino, e o deputado federal eleito Waldyr Pires. Elogiado por Lula, o sistema de votação eletrônica foi por diversas vezes criticado por Brizola, que se reuniu diversas vezes com Jobim para expressar sua preocupação com a sua confiabilidade. A deferência de Jobim reafirmou a paz entre os dois. Às 11h19, Jobim encerrou a sessão, e Lula recebeu os cumprimentos dos presentes. O presidente eleito participou depois de um almoço no restaurante Piantella, um dos preferidos dos políticos em Brasília.