Política
Macei� passa por assepsia social com execu��o de moradores de rua
O primeiro semestre ainda nem terminou, mas o número de moradores de rua assassinados no estado ? doze até agora ? já é igual ao registrado no ano passado inteiro, revela a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional de Alagoas. ?É um genocídio, o que ocorre na capital, onde os registros apontam que existem cerca de 300 pessoas nessa situação. É preocupante?, alertou Daniel Nunes, presidente da comissão. O advogado afirma que foram 35 mortes em 2010, número que chegou a 32, um ano depois. Os números da OAB/AL mostram que em 2012 foram 25 mortes, número que baixou para 12 ocorrências em 2013. O sociólogo Gustavo Pessoa vai além. Ele fala em um processo de higiene social, que se apoia (não se justifica, ele deixa claro) na inércia do governo em dar repostas às demandas da sociedade. ?Um caminho para que a gente possa entender o aumento da escalada da violência e, particularmente, de crimes dessa natureza é a descrença das pessoas nas instituições. A sociedade acaba achando que pode fazer justiça com as próprias mãos?, afirma. ?Em hipótese nenhuma, esses assassinatos bárbaros podem ser justificados. Mas no imaginário coletivo das pessoas há uma ideia altamente equivocada e estúpida de que é possível fazer justiça por conta própria e promover higiene social, diante de um governo letárgico, que não atua para solucionar impasses dessa natureza?, acrescenta. O professor disse que tenta entender o que acontece em Alagoas a partir de duas perspectivas que, se relacionadas, podem explicar o estado de semibarbárie que se instalou no estado. A primeira tem como base os indicadores socioeconômicos ?dramáticos? que Alagoas apresenta. A segunda está no que ele define como a ?falência de um modelo de gestão governamental?. ?Isso já perdura há oito anos aqui em Alagoas, durante os quais os indicadores de violência aumentaram de forma significativa. Hoje, nós vivemos numa capital que, infelizmente, ostenta a condição de ser uma das cidades mais violentas do mundo, em números proporcionais?, lembra. Na opinião do professor, a falência do modelo de gestão do Estado, que leva a população a desconfiar das instituições e agir por conta própria, é algo com consequências graves. ?Aí, na verdade, o tecido social se esgarça cada vez mais, e a gente caminha para uma situação de barbárie, como estamos vendo agora nas periferias aqui de Maceió e, até mesmo, de Arapiraca, onde os indicadores de violência também têm crescido de forma considerável?, destaca.