Política
Poder de pol�cia para guardas municipais
?Precisamos viver um novo modelo de segurança, e os guardas municipais querem inserção nesse contexto? EM TEMPOS DE GUERRA URBANA,A MISSÃO É PROTEGER O CIDADÃO » CLEIF RICARDO - Presidente do Sindiguarda Alagoas Novos tempos, novas ameaças. Isso exige repensar as estratégias de guerra, o armamento adequado e, especialmente, os combatentes. Parece trágico, mas é apenas e, tão somente, com este adjetivo que podemos classificar a violência que temos vivido nos centros urbanos e até no meio rural. Não há mais tempo para achar culpados. O que nos resta é uma corrida contra o tempo para atuarmos conjuntamente em favor de uma dinâmica de luta contra a criminalidade. Instalados no campo de batalha, posicionados na linha de frente, estando na mira do inimigo, nos deparamos com uma boa notícia. As guardas municipais poderão ter poder de polícia, com a incumbência de proteger tanto o patrimônio como a vida. A medida prevista pelo PLC 39/2014 foi aprovada no dia 4 deste mês pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado. Uma bandeira branca que tentávamos avistar a tempos, enfim, se ergue dando novos ares de esperança. Uma questão tão debatida esbarrava em argumentos que não justificavam a continuidade dos altos índices de violência que tem assolado nosso país de canto a canto. A pergunta que teimava em ecoar continua no meu íntimo sem resposta. Por que é tão difícil repartir as obrigações de guerra em pleno combate? Enquanto guarda civil municipal, atuando há quase duas décadas, tantas vezes me vi e vi companheiros meus ansiosos por poder, também, combater essa guerra. Se o que é preciso para um soldado ser digno da batalha, prioritariamente, é a sua coragem, sempre a tivemos de sobra. Faltava-nos a oportunidade. Batemos nessa tecla inúmeras vezes. Cobramos do Estado maior atribuição para nossa instituição. Conhecíamos nosso potencial e nossa forma aguerrida de trabalhar cotidianamente. Cabia ao Estado resolver a questão a título de emergência já, que para ele, foi atribuída a responsabilidade pela segurança pública. Por fim, o mensageiro nos trouxe a boa nova. Seguimos para um fim de batalha vitorioso, convictos de que lutamos a guerra justa. O poder de polícia que nos cabe e a mais que devida obrigação pelo porte de arma está prestes a se tornar uma realidade. Lutamos bravamente, sem trégua, por essas conquistas. Os bravos e combativos guardas municipais (nossos incansáveis soldados de guerra) terão seus esforços reconhecidos e enaltecidos. Precisamos viver um novo modelo de segurança e, certamente, os guardas municipais precisam estar inseridos nesse contexto. Em parceria com as polícias, trabalhar pela proteção de nosso maior patrimônio: os cidadãos, respeitando os direitos humanos ao passo em que atuemos com estratégias eficientes de repressão à violência. E repensando o dito inicialmente, a guerra está longe do fim. Nossa luta pelo porte de arma e poder de polícia é um benefício com foco na sociedade. Nos orgulhamos dessa conquista. Mas enquanto houver um cidadão à mercê da violência, a partir de agora, lá também estaremos nós, guardas municipais, lutando para vencer outras batalhas. ?O povo reclama principalmente por policiamento ostensivo mais eficiente e presente em diversos lugares? O POVO CLAMA PELA POLÍCIA UNIFORMIZADA E OSTENSIVA » ARCHIMEDES MARQUES - Delegado de polícia Englobando o país em que as pessoas clamam por uma segurança pública mais justa e eficiente, está dentre os agentes institucionais incumbidos dessa árdua missão, a figura das guardas municipais como boa opção de somação na tentativa de resgatar a confiança do povo nos seus órgãos de proteção para uma consequente melhora nesta problemática área social. Com o recrudescimento da violência e o aumento estúpido da criminalidade em todo canto do País e, pelo fato das polícias não estarem sendo suficientes o bastante para conter o surto da marginalidade, precisamos, além do apoio irrestrito da população, das ações relacionadas às guardas municipais neste importante mister de bem proteger a sociedade. A sociedade brasileira é sabedora que a instituição policial militar tem as suas ações voltadas primordialmente para a prevenção em virtude de ser uma força fardada, uniformizada, enquanto que a Polícia Civil, a Polícia Judiciária é incumbida da repressão ao crime, ou seja, é responsável por construir o alicerce do Processo Criminal através da investigação policial, do inquérito policial, para levar os delinquentes às barras da Justiça. Entendem-se pelas matérias policiais que o povo sabiamente, e com toda razão, prefere a prevenção ao crime. Por isso, clama pela sua polícia ostensiva, preventiva, pela sua polícia uniformizada para frear a velocidade da violência. Contudo, dado ao fato de que, cujo policiamento requer um grande contingente em todos os Estados, em todas as cidades, e infelizmente isso não ocorre a contento, é praticamente impossível que os Estados sozinhos possam arcar com tais responsabilidades reparadoras. Por isso, não há como os municípios deixarem de concorrer com as suas parcelas de responsabilidades em busca da solução adequada para essa problemática e, em assim sendo, por óbvio, as guardas municipais tem a bola da vez. A população quer solução para a questão da sua insegurança e não faz distinção entre polícias. O povo reclama principalmente por policiamento ostensivo mais eficiente e presente em diversos lugares. A sociedade clama pela presença de policiais uniformizados nas ruas, durante todo o dia e, notadamente, à noite, para a garantia da propriedade e da vida das pessoas. A crítica da imprensa e o clamor da sociedade por uma segurança pública mais eficaz levam-nos a um exame mais criterioso de que as guardas municipais devem realmente ultrapassar as suas atribuições constitucionais para tornarem-se força auxiliar da polícia, em destarte, da Polícia Militar, vez que, com a sua qualidade de ser uma instituição uniformizada, assim resta importante e necessária aos anseios popular.