Política
Seca verde preocupa prefeitos
O Sertão está com seus campos verdes, mas as consequências da estiagem ainda são sentidas pela população e principalmente pelo homem do campo, que plantou milho e feijão com as primeiras chuvas de maio, mas perdeu tudo em junho. A região do semiárido alagoano vive a chamada ?seca verde?, um fenômeno climático onde as precipitações pluviométricas são poucas para recuperar o solo ressecado pelo longo período de estiagem. Segundo as informações colhidas junto às estações de monitoramento das precipitações pluviométricas nos últimos dois meses, a média de chuvas não ultrapassou os 500 mm. Alguns açudes melhoraram o nível de água, mas não recuperaram as perdas, e a terra foi molhada no mês de maio e voltou a ficar seca em início de junho, o que levou os produtores a perderem a safra de feijão e milho. No dialeto sertanejo é a seca verde, que engana a todos e provoca a suspensão da ajuda institucional. O governo federal, sensível e conhecedor da luta do nordestino do semiárido, mantém o programa de abastecimento das comunidades com carros-pipas, ao contrário do governo do Estado, que bastou cair os primeiro pingos de água no Sertão e suspendeu toda ajuda ao sofrido povo sertanejo. As perspectivas para a região não são nada boas para o segundo semestre. Apenas agora em julho se anuncia chuvas mais intensas. De concreto, o que há são chuvas esparsas e sem muito volume para encharcar a terra e fazer correr a água nos riachos temporários do Sertão alagoano. O ex-prefeito de Água Branca, José Rodrigues, conhecido como Zé de Dorinha, que nasceu e se criou no campo conhece bem as agruras da luta do povo sertanejo para vencer as dificuldades da região. ?Os barreiros ainda estão secos e os riachos não estão escorrendo água, como acontece quando estamos vivendo o inverno verdadeiro?, disse ele. ?Tudo que foi plantado em maio se perdeu em junho, porque as chuvas pararam no início de junho?, declarou Dorinha. Para ele, a seca vai voltar em setembro e talvez mais forte ainda. ?Temos a esperança que chova bastante em julho, mas assim mesmo não é o suficiente para recuperar tudo que se perdeu na seca?, enfatiza.