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Política

Omar quer votos dos ‘formadores de opini�o’

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No início, o advogado Omar Coêlho de Mello (DEM) era candidato a deputado estadual, mas os ventos mudaram e ele voltou suas energias para tentar uma vaga na Câmara dos Deputados. No entanto, no último dia 29 de junho, véspera do encerramento das convenções cartoriais, ele foi dormir candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo senador Benedito de Lira (PP) e acordou no dia seguinte como candidato ao Senado, na mesma coligação. ?O Aécio [Neves, candidato à Presidência pelo PSDB] está sem vice. Quem sabe não será você, filho??, brincou o pai de Omar, o renomado jurista Marcos Bernardes de Mello, diante da situação. Coligações definidas, a candidatura ?inusitada?, nas palavras do próprio candidato, está lançada, apesar de praticamente invisível nas ruas, como todas as outras nesta reta inicial de campanha. Apresentando-se como a novidade na disputa pela vaga de Alagoas no Senado que está em jogo, ele considera que tem potencial de conquistar os votos dos eleitores ?formadores de opinião?, ao mesmo tempo mostrando que pode trabalhar pelo interior e usa como exemplo a gestão que fez na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional de Alagoas. Dizendo-se um crítico da maneira como se faz política no estado, ele manifestou, nesta entrevista à Gazeta de Alagoas, indignação diante da situação de caos em áreas fundamentais para a dignidade dos cidadãos, principalmente a educação, a saúde e a segurança, as mais afetadas pela falta de ações do atual governo estadual. ?A educação precisa ser repensada, o sistema educacional necessita de uma infraestrutura que comporte o ensino em tempo integral. Nossas crianças não podem continuar expostas ao tráfico, por exemplo. Na saúde, é a mesma coisa; precisamos modernizar a rede hospitalar e transformar as carreiras médicas em carreiras de Estado?, afirma. Sobre a segurança, Omar Coêlho defende que o Estado aja com responsabilidade, pois acredita que violência não se combate com mais violência. ?No primeiro momento, sem dúvida, precisamos de policiamento na rua, mas cabe-nos, no Parlamento, trabalhar para que as políticas públicas sejam viabilizadas e cobrar sua efetividade. Uma de minhas ações será lutar pela profissionalização competente de todo serviço público e a busca de recursos para viabilizá-lo?, promete. Ele não se considera um ?azarão? e diz que entra na disputa com reais chances de vitória, apesar de reconhecer que a eleição é dificílima e ter plena consciência de que é um nome pouco conhecido do ?povão?. A escolha da ex-prefeita de Ibateguara Eudócia Caldas (Solidariedade) como primeira suplente é uma estratégia para tentar conquistar votos no interior. Omar Coêlho conta ainda com os mais de três minutos que terá na TV e no rádio durante o guia eleitoral para se mostrar ao eleitorado. Leia, a seguir, algumas propostas do candidato. Gazeta. Como ex-presidente da OAB/AL e integrante da Comissão de Direitos Humanos, o senhor se considera um candidato formador de opinião? Omar Coêlho. Sem dúvida alguma. Nossa candidatura tem como lastro não só os formadores de opinião, mas [a ideia de] que os conceitos básicos de cidadania plena cheguem também às classes menos favorecidas, propiciando um ambiente fértil para que ideias produtivas possam germinar, visando a um estado melhor para todos. O senhor se considera um candidato de Maceió, representante dos setores organizados da sociedade da capital? Não. Conheço todo o estado de Alagoas e a OAB me propiciou mostrar o quanto podemos trabalhar pelo nosso interior. Fui o único presidente a interiorizar a OAB, levando sessões do Conselho, criando novas subseções, além de deixar todas elas com suas sedes próprias, e as existentes totalmente recuperadas. Não concebo um estado onde a capital tem tudo, e, ao interior, o que sobrar. Serei o senador de Alagoas, dos 102 municípios, independentemente das cores partidárias. E mais: tenho amigos em todo o estado de Alagoas. Como jurista, um dos líderes da categoria dos advogados de Alagoas, e como integrante da sociedade civil organizada, como vê a situação caótica nas áreas de educação, saúde e segurança no estado? Vejo com bastante indignação a situação vivenciada por áreas fundamentais para um estado digno. A educação precisa ser repensada, o sistema educacional necessita de uma infraestrutura que comporte o ensino em tempo integral. Nossas crianças não podem continuar expostas ao tráfico, por exemplo. Na saúde, é a mesma coisa, precisamos modernizar a rede hospitalar e transformar as carreiras médicas em carreiras de Estado. Agora, é prioritário um investimento na saúde básica da população e a profissionalização dos agentes de saúde, dando condições dignas de trabalho. A segurança pública, então, temos que agir com muita responsabilidade. Não se pode combater a violência com violência. No primeiro momento, sem dúvida, precisamos de policiamento na rua, mas cabe-nos, no Parlamento, trabalhar para que as políticas públicas sejam viabilizadas e cobrar sua efetividade. Uma de minhas ações será lutar pela profissionalização competente de todo serviço público e a busca de recursos para viabilizá-lo. Caso seja eleito, quais serão as suas propostas para ajudar o Estado, particularmente, nessas três áreas? Quando eu for eleito, irei viabilizar recursos e projetos para que possamos minimizar todos esses problemas. Teremos uma atuação proativa e não ficaremos aguardando as coisas caírem do céu, como sempre agi por onde passei. Por que o senhor é candidato? Acredito que, além de buscar recursos, o parlamentar tem a obrigação de mostrar para o País o que é o seu estado, ser alguém que fale pelo seu povo. A representação [de Alagoas], com poucas exceções, é capenga. Creio que o papel do político é ajudar o Estado a se desenvolver, sair da palavra para a materialização dos projetos que levem à mudança. Não é só anunciar recursos, é necessário fiscalizar a sua aplicação. A gente escuta falar em milhões e, quando vai atrás do que foi feito, muitas vezes, não vê nada realizado. Sou um cidadão que sempre se preocupou com Alagoas e que tem uma visão bastante crítica da forma como a política é conduzida. Nas entidades que presidi ? entre elas, a seccional alagoana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AL), a Associação Nacional de Procuradores de Estado (Anape) e a Associação de Procuradores do Estado de Alagoas (APE) ?, as gestões tiveram um caráter de classe, porém, sempre focadas na sociedade. Agora, de uma forma inusitada, lanço meu nome para o Senado. O que faz da candidatura do senhor algo ?inusitado?? Eu vinha trabalhando para ser candidato a deputado estadual. Porém, a conjuntura e as minhas propostas me fizeram enxergar que contribuiria mais para Alagoas como deputado federal, onde eu estava trabalhando com maior intensidade. Depois, estava quase acertado para ser vice na chapa do senador Benedito de Lira (PP). Porém, quando Alexandre Toledo (PSB) aceitou ser vice, surgiu a possibilidade de integrar a chapa majoritária, disputando a vaga no Senado. Chegamos a ser procurados pelo PSDB mas, para o Democratas, a aliança com o senador era o caminho mais viável, tanto para as eleições majoritárias quanto para as proporcionais. Enfim, no dia 29 [de junho] eu era vice e, no dia 30, candidato ao Senado.

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