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A Copa do Mundo e as elei��es - II

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A RESSACA VEM EM SEGUIDA E VAI DOER, CAMPEÕES OU NÃO » ALBERTO GOLDMAN - Vice-presidente do PSDB Nacional A grande maioria da população está ausente da discussão e da preocupação quanto à relação entre a Copa do Mundo de Futebol e as eleições deste ano. Mas alguns milhares de brasileiros que acompanham e vivem a vida política do País se digladiam em uma discussão acaciana: a vitória do Brasil ajudará a eleição de Dilma Rousseff? A derrota do Brasil aumenta as possibilidades da oposição? É fato que a questão da Copa não se resume ao resultado futebolístico. Como o Brasil é a sede do evento, a discussão é sobre a sua organização. Se boa, ponto para governo. Se má, ponto contra. E por quê? Porque o Lula resolveu bancar que a sua realização fosse no Brasil, evidentemente com intenções políticas. É incrível que, com tanta experiência que já tivemos no Brasil, muitos ainda acham que o futebol aliena. Vale dizer, que o povo é alienado. Não é, nem nunca foi. Pelo contrário, é muito pragmático, ainda que esse pragmatismo não signifique plena consciência do que deve ser feito a curto prazo para que não tenhamos de lamentar os resultados a longo prazo. A Fifa, a real responsável pela Copa, é uma entidade privada. Ela é hábil em misturar as coisas, fazendo parecer que o evento esplendoroso é um inocente evento público. Mas não é. O poder público, diante de um espetáculo que atrai grande público, tem a obrigação (ou melhor, acaba tendo a obrigação) de dar as condições de estrutura da cidade e do país, no que respeita à mobilidade, à segurança, e a tudo que pode resultar em bem-estar da população. A Fifa (assim como o COI ? Comitê Olímpico Internacional) como entidade privada, ?dona? da marca Copa do Mundo de Futebol, tem como objetivo maior o seu negócio, que realiza possibilitando que centenas de empresas ampliem também os seus negócios, inclusive usufruindo da publicidade inerente para obterem mais lucros. E seus dirigentes, por diversas vias, legais ou não, se beneficiam deles. Essa Copa das Copas é uma fonte de riquezas para muitos. Nenhuma objeção teríamos se a Copa não envolvesse bilhões de reais em recursos públicos. Quando governador do Estado de São Paulo, fiz questão de destacar esse fato e não autorizei nenhum gasto específico nos estádios, públicos ou pertencentes aos clubes de futebol, nem qualquer subsídio estatal. E o mesmo fez o governo do Estado na atual administração. Mas o governo federal não se comportou da mesma forma. Além das formas que ainda não contabilizamos ? mas haveremos de conhecer ?, usou bancos estatais para financiar os gastos da Copa. Esses financiamentos são feitos a juros subsidiados, isto é, o poder público banca os custos de captação desse dinheiro e os investimentos deixam de ser dirigidos para áreas que são carentes dos recursos do poder público. Também o governo municipal de São Paulo, apesar das juras em contrário, possibilitou operações em que ele se responsabiliza por parte dos investimentos. O mesmo acontece em todos os Estados e Municípios em que os jogos se realizam. Portanto, o sucesso da Copa é o sucesso das disputas de organizações privadas, a Fifa e as Confederações de cada país, em cima de um esporte que é um dos mais populares do mundo, no qual o brasileiro, no caso, deposita seu amor e carinho e torce autenticamente sem saber o que está atrás de tudo isso. Hoje, tudo é alegria. Mesmo ganhando ou perdendo, a Seleção Brasileira (já estamos entre as 4 melhores seleções do mundo) e os jogos em geral são um sucesso. Hoje, é a carraspana. A ressaca vem em seguida e vai ser dolorosa, campeões ou não. Voltando à inicial, se o Brasil ganhar, ou se o Brasil não for campeão, isso muda alguma coisa no resultado eleitoral que teremos em outubro? Creio que não.

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