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A prostitui��o deve ser regulamentada no Brasil? - I

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LEGALIZAR PROTEGE AS PROFISSIONAIS DO SEXO E LHES DÁ ASSISTÊNCIA » FERNANDO GABEIRA - Escritor, jornalista e ex-deputado federal A legalização da prostituição não é novidade. Ela já existe em países como Holanda e Alemanha. Pode não ser uma saída mágica, mas é melhor do que a situação anterior. Tanto que a lei não foi contestada. Seu principal objetivo é proteger as profissionais do sexo, garantindo-lhes assistência médica e aposentadoria. É um tipo de atividade que se torna quase impossível com a idade avançada. Muitas mulheres transam sem camisinha para conseguir um diferencial que as mantenha no mercado. Isso é um perigo para elas e seus parceiros. Muitos afirmam que a prostituição legalizada vai abalar a família. Mas não há nenhuma prova de que o número de prostitutas cresça com a legalização. O mesmo diziam sobre o projeto que legaliza a união homossexual. Essas pessoas acham que alguém se torna gay só porque leu o Diário Oficial com a nova lei. Outros afirmam que a mudança vai estimular a indústria do sexo, legalizar a cafetinagem, numa expressão mais rasteira. Na verdade, tanto a lei alemã como a brasileira, caso aprovada, permitem que se façam contratos diretos com os clientes. Isso não significa que os prostíbulos vão acabar. Na Austrália, as ações de um grande prostíbulo foram lançadas com sucesso financeiro. A indústria do sexo existe em grande escala, do filme pornográfico às agências, das ações na Bolsa aos pequenos anúncios nos jornais, sem falar na Internet, de certa forma incontrolável. Muitas pessoas de bem, fechadas em suas famílias e suas igrejas, não percebem que o mundo aqui fora está repleto de sexo comercial. E caem na ilusão de que uma lei vai estimular uma atividade, quando seu objetivo é reconhecer direitos de cidadania aos seus praticantes. Direitos que, de certa forma, os governos deveriam reconhecer. No período Fernando Henrique, as prostitutas ganharam um prêmio por sua contribuição na luta contra a aids, umas das chaves do êxito da campanha brasileira. Ela dialogou com gente real em situações reais. Na luta contra a prostituição infantil, quem poderia ser um aliado mais eficiente do que os profissionais legalizados? Devagar, chegaremos a um acordo.

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