Política
Interiorizar � a chave para desenvolver o turismo de Alagoas
Vinicius Lages é um daqueles alagoanos orgulhosos de sua terra e apaixonados por suas ricas belezas naturais. O ministro do Turismo faz questão de contar que carrega consigo, em seu celular, fotos de diversas paisagens de Alagoas, do mar azul-turquesa, passando pelas águas douradas do Rio São Francisco, até o semiárido, ele mostra a todos que ainda não conhecem seu estado o imenso potencial ainda pouco explorado. O ministro reconhece que há ainda um caminho bem longo a ser percorrido e muitas ações para que a atividade ganhe força e a prioridade que merece em Alagoas. Otimista, comemora o fato do tema estar no centro da agenda política nas eleições deste ano, mas defende que o setor saia do âmbito do discurso e esteja na pauta do desenvolvimento estadual. ?Alagoas é um estado que tem tentado superar na sua matriz econômica a dependência da monocultura e acredito que a economia de serviços é o que vai sustentar essa mudança?, afirma. Na última sexta-feira, Lages se reuniu com o trade local para definir como o ministério poderia ajudar a hotelaria no combate a uma feroz queda na ocupação durante os meses de junho e julho, que já se consolidam como os piores em muitos anos. A preocupação do ministro é em dar sustentação à atividade até chegar a alta temporada. Para evitar que momentos assim se repitam indefinidamente, Vinicius Lages defende a interiorização do turismo em Alagoas, a consolidação do turismo de eventos e que finalmente o setor ganhe prioridade na política econômica do próximo governador do Estado. Gazeta. Como foi assumir o Ministério do Turismo às vésperas de uma Copa com expectativa tão negativa? Vinicius Lages. Nos dois primeiros meses da minha gestão, o desafio foi a Copa. Era articular o trabalho do ministério com as doze cidades-sede. Tivemos um investimento em infraestrutura, em obras de acessibilidade. Mas, para mim, o grande desafio era o dia seguinte, o pós-Copa. Quando eu entrei no ministério, havia uma nuvem de insegurança muito grande, a mídia internacional, um momento de muita pressão. Me aliei aos meus parceiros no governo federal, como o ministro Aldo Rebelo, também alagoano. Nos unimos para mostrar que estávamos preparados para realizar uma grande Copa e proporcionar uma grande experiência turística memorável. Nunca duvidei internamente disso. O desafio que eu tinha de curto prazo era enfrentar esse pessimismo. Vencido isso, a gente sai com uma infraestrutura de aeroportos que o Brasil nunca teve, centros esportivos, centros de convenções, a qualificação da oferta turística. Tivemos mais de um milhão de estrangeiros entrando no Brasil e um contingente de mais de 200 nacionalidades visitando o País. Então, temos um ganho de imagem que favorece muito o Brasil, mesmo cidades que não estiveram ligadas diretamente à Copa se beneficiam dessa imagem que o Brasil tem hoje no mundo. O evento selou um novo momento do turismo no Brasil? Sim. Teríamos gastado bilhões de dólares numa campanha publicitária para atingir esse imaginário mundial. A gente ganhou uma posição no mercado mundial que precisa se sustentar mostrando que a experiência turística no Brasil é segura, é muito agradável, que tem profissionalismo no atendimento e diversificar nossa oferta. Esse legado precisa ser trabalhado e sustentado com estratégias consistentes. Vamos trabalhar na perspectiva de um novo ciclo de desenvolvimento, um momento muito especial em que o Brasil será passado em revista. Estamos apostando que a visibilidade que o Turismo ganhou com a Copa mereça uma atenção política ainda maior. Como o senhor espera que essa força do setor seja percebida? O turismo sempre cresceu mais do que o PIB brasileiro, e pode continuar crescendo, pode ser um vetor de geração de emprego e renda. Neste segundo semestre, pego como desafio um período eleitoral, em que temos que construir projetos e bandeiras. Estamos trabalhando para mostrar que podemos ir muito além, avançar ainda mais. Por exemplo, temos a possibilidade de trazer ainda mais cruzeiros marítimos com uma navegação de cabotagem na costa brasileira, com navegação de turismo, temos projetos de ampliação portuária que pode ser atrelado a terminais turísticos. Termos mais marinas. Um litoral como o de Alagoas não ter uma marina é inconcebível, tendo uma área portuária urbana e trechos do litoral excepcionais. Se trabalharmos esse momento agora para colocar o turismo em definitivo na agenda do desenvolvimento, atraindo a atenção política e na área econômica, podemos avançar muito mais. Como o senhor vê o paradoxo alagoano de abrigar tanta diversidade e potencial, mas não conseguir deslanchar turisticamente? Alagoas é um estado que tem tentado superar na sua matriz econômica a dependência da monocultura, e acredito que a economia de serviços é o que vai sustentar essa mudança. É indiscutível que as lideranças empresariais e políticas reconhecem no turismo uma importância enorme no desenvolvimento de Alagoas. Os empresários aqui são muito competentes, porque eles trabalham com alguns desafios que impedem que o turismo cresça ainda mais e que estão relacionados a logística, transporte e conectividade aérea. Alagoas tem um aeroporto ainda com uma baixa utilização porque tem fingers que estão há anos sem utilização. Tem uma questão de custo de combustível, que impacta muito no custo aéreo. Tem que ter uma agenda que implique em pensar o custo da atividade, a estrutura de custo. O que explica o despencar do fluxo de passageiros e das taxas de ocupações hoteleiras em Maceió durante a Copa? Segundo dados do setor e da Secretaria de Turismo, junho e julho foram os piores meses de ocupação hoteleira dos últimos anos. Isso reflete um momento em que o País se preparou para a Copa e que poderia ter beneficiado os estados no entorno das cidades-sede. Maceió, por estar vizinha a Pernambuco, Natal, Fortaleza e Salvador, poderia ter aproveitado dessa projeção, mas vivemos antes um período de desestímulo, de desarticulação da oferta, uma campanha negativa contra os hotéis fazendo com que se tivesse essa percepção equivocada porque os preços estavam razoáveis. Alagoas, infelizmente, não pôde se beneficiar. Como o ministério pode ajudar o trade local a ter essa crise minimizada nos próximos meses? Como ministro do Turismo, como alagoano, me preocupa muito o fato de ver o setor privado, que investe, que compromete o seu patrimônio ver sua rentabilidade cair e colocando em risco a continuidade dos seus investimentos por conta dessa baixa de fluxo. Trouxe a minha diretora de marketing para discutirmos como Alagoas pode, participando de uma estratégia integrada, gerar mais fluxo num curto prazo. Atividade econômica depende de fluxo de caixa. O turismo já tem, naturalmente, uma sazonalidade, e Alagoas tem que combater também essa sazonalidade como outros estados fizeram.