Política
Estado j� gastou quase R$ 50 mi em consultorias
Quase R$ 50 milhões. É essa a cifra que o Estado gastou com consultorias ao longo de sete anos. Os caros serviços prestados geralmente por empresas de fora de Alagoas foram, em sua maioria, contratados na modalidade ?inexigibilidade de licitação? por ?notório saber? ou por aquela entidade ser dona exclusiva de uma ?expertise? que nenhuma outra tem dentro ou fora do estado. Desse total, R$ 33,6 milhões foram gastos pelo Executivo em secretarias e órgãos. O restante, R$ 16,3 milhões, referem-se a consultorias prestadas no Tribunal de Justiça (TJ). O levantamento detalhado foi feito pelo Sindicato dos Servidores do Fisco de Alagoas (Sindifisco), que questiona os vultosos gastos com esse tipo de serviço. Os dados das milionárias consultorias e assessorias técnicas ou jurídicas estão disponíveis no Portal da Transparência, que mostra que esse tipo de despesa foi crescendo com o passar do tempo. No ano de 2007, totalizou pouco mais de R$ 926 mil; em 2008, saltou para R$ 2,2 milhões. No ano de 2009, mais do que duplicou indo para R$ 4,9 milhões e seguiu subindo com gastos de R$ 9 milhões em 2010, R$ 9,4 milhões em 2011 e R$ 11,9 milhões no ano de 2012. No ano passado, as despesas com consultorias totalizaram R$ 8,4 milhões e neste ano estão em R$ 2,8 milhões. Projetando o total dos gastos dessa natureza durante esta gestão é que se tem a noção do quão esses valores fazem falta a áreas prioritárias da administração estadual. Deslocando esses R$ 33,6 milhões da esfera impalpável e dificílima de medir resultados ? pelo menos para a maioria da população alagoana ? das consultorias e fazendo um exercício básico de projeção em obras e serviços concretos extremamente necessários em Alagoas é que se percebe o quão questionável foi esse esforço financeiro, já que falta dinheiro para quase tudo no Estado. Com R$ 10 milhões, o governo conseguiu contratualizar 97 leitos de retaguarda para o HGE, o que não solucionou o problema de superlotação. O dinheiro gasto com as consultorias triplicariam essa oferta ou seriam suficientes para uma ampliação de leitos no Hospital Geral do Estado. Esses R$ 33,6 milhões também poderiam construir não um novo, mas quatro prédios do novo Instituto Médico Legal (IML), que tem obra orçada em R$ 7 milhões. Para fechar as comparações, o montante chega perto do valor do presídio do Agreste, com 800 vagas, que custou R$ 35 milhões.