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Mais M�dicos � um sucesso? - II

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MAIS RESPONSABILIDADE COM A VIDA DOS OUTROS » HUGO CABRAL TENÓRIO - Médico No Brasil, há aproximadamente um ano, médicos cubanos foram trazidos ao País para com o pretexto de trabalhar em áreas onde não haviam médicos, mas, na verdade, estão ocupando a vaga de médicos brasileiros que estão sendo afastados para serem substituídos pelos estrangeiros. Muitas perguntas são feitas: quem são estes médicos cubanos? Há poucos médicos no Brasil? Existe preconceito contra os médicos estrangeiros? Se o mundo inteiro aceita médicos estrangeiros, por que no Brasil também não pode aceitar? Ninguém é contra a vinda de médicos estrangeiros, muito pelo contrário. Quanto mais médicos na atenção básica, menos sobrecarga haverá nos serviços hospitalares de saúde. Por exemplo, uma hipertensão arterial, dislipidemia, diabetes mellitus, doenças infeciosas bem tratadas em seu estágio inicial irão evitar complicações que estão entre as principais causas de internações hospitalares e mortalidade no Brasil. Por isso é tão importante ter qualidade nos serviços de atenção básica. Precisamos de mais médicos na atenção básica, mas que sejam médicos com conhecimento técnico capaz de dar conta das necessidades da população com segurança. Os países desenvolvidos como Estados Unidos, Canadá, países da Europa Ocidental possuem grande parte de seu efetivo médico composto de profissionais estrangeiros. Porém, estes médicos passam por testes rigorosos para avaliar sua capacidade técnica. No Brasil, também temos este controle, chamado de Revalida, mas, infelizmente, estes médicos cubanos foram dispensados de fazer este exame, e desta forma existe um gravíssimo risco de exposição da saúde do povo brasileiro ao desconhecido. Não existe nenhum preconceito contra médicos cubanos ou qualquer outra nacionalidade estrangeira. Apenas, gostaríamos que tivessem a sua capacidade técnica provada e que tivessem liberdade de trabalhar onde quisessem, ao invés de ficarem aprisionados em uma unidade determinada pelo governo. O Brasil possui cerca de 200 milhões de habitantes. Segundo dados do Conselho Federal de Medicina, existem cerca de 400 mil médicos em nosso país, ou seja, um médico para cada 500 pessoas. O número de médicos no Brasil é mais do que suficiente para cuidar da população brasileira sem que houvesse a necessidade de ?importar em larga escala? médicos sem registro da ?qualidade do produto?. O problema não é a quantidade de médicos no Brasil, mas, sim, a sua distribuição pelo território nacional. A maioria dos médicos está concentrada nas capitais e grandes centros urbanos, enquanto centenas ou até milhares de pequenas cidades ficam sem ter sequer um médico na cidade. Mas qual o motivo desta ausência? Por que faltam médicos em tantos lugares? Será que nós, médicos, somos todos burgueses mercenários da elite que só pensam em ganhar dinheiro e viver no luxo, sem se importar com os mais carentes? Não, gente. Não é isso. Medicina de verdade, com seriedade, não se faz com papel e caneta, mas, sim, com estrutura, com equipamentos. Na faculdade, aprendemos anatomia, fisiologia, farmacologia, semiologia e terapêutica. Precisamos ter recurso de laboratório, imagem para estabelecer um diagnóstico. Após o diagnóstico concluído, precisamos realizar o tratamento, seja clínico, seja cirúrgico. Caso a investigação ou recurso de tratamento ultrapasse a nossa capacidade, encaminharemos o paciente para o especialista adequado. É assim que nos formamos. Nossa satisfação é examinar o paciente, investigar a sua doença e o encontrar tratado. Quando trabalhamos sem estrutura mínima para diagnosticar e tratar, nossa satisfação em ser médico se transforma em profunda frustração por não ter condições de exercer o nosso ofício. Acabamos evitando esta decepção e buscando locais que nos ofereçam melhores condições de fazer o que gostamos: cuidar e tratar pessoas doentes.

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