Política
Reajuste de 50% divide opini�o de deputados
O aumento salarial de 50% para deputados e senadores, aprovado a toque de caixa na Câmara Federal, quarta-feira, em reunião de liderança que durou apenas 1 minuto e 28 segundos, tem dividido a opinião dos parlamentares da Assembléia Legislativa Estadual (ALE), em Alagoas. Alguns são favoráveis ao aumento, com a justificativa de que os subsídios da categoria estão defasados há oito anos. Outros, porém, consideram que o reajuste veio em um momento inoportuno. Com o reajuste, será desencadeado o chamado ?efeito cascata?, significando dizer que outras categorias nos Estados e municípios, como deputados estaduais, vereadores, procuradores, desembargadores, promotores, entre outros, terão seus salários ou vencimentos reajustados, já que são cargos diretamente vinculados aos dos deputados. ?O momento é inadequado para se dar reajuste aos parlamentares. Principalmente porque o governo ainda está discutindo o valor do salário mínimo. O reajuste dos subsídios dos deputados e senadores irá provocar um enorme problema de reação em cadeia, o chamado efeito cascata. Isso significa que a ALE, a Câmara de Vereadores, o Tribunal de Contas do Estado, Ministério Público e Judiciário juizes também serão contemplados com esse percentual?, opinou o deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT). ?Sou a favor do reajuste. O que poderia ser feito, no entanto, era desvincular as demais categorias dos salários dos parlamentares?, disse o deputado Cícero Amélio (PPS). Segundo ele, o aumento foi pouco, tendo em vista que a categoria está há oito anos sem reajuste salarial. ?Esse aumento foi só para tapar o sol com a peneira. Por que ele não traz o salário para a realidade em que vivemos. Eu, inclusive, desafio qualquer deputado a dizer que consegue viver, em Brasília, com um salário bruto de R$ 8 mil ou um líquido de R$ 6 mil?, declarou Amélio. Favorável O presidente da ALE, deputado Antônio Albuquerque (PTB), também se mostrou favorável ao reajuste. Inclusive, segundo ele, ?o salário de todos os cargos públicos eletivos estão absolutamente defasados. Por isso, sou favorável a que os salários dos parlamentares sejam reajustados, para que se tornem compatíveis com a realidade e sejam convincentes?, afirmou. ?Quando todos os trabalhadores estão precisando de aumento salarial, só o Legislativo é contemplado com o reajuste. É lamentável?, afirmou o deputado Gilvan Barros (PL). ?Gostaria que o reajuste fosse dado para todos os trabalhadores, em todas as categorias, não apenas para o Legislativo?, reforçou o parlamentar. Caso o aumento reflita na ALE, com o mesmo índice, por exemplo, os deputados passarão a receber subsídio bruto de R$ 9 mil. Atualmente eles recebem R$ 6 mil, sendo um líquido de R$ 4.600,00. Fora isso, os parlamentares têm direito à verba de gabinete no valor de R$ 30.600,00 e mais os cargos comissionados, num total de 14 pessoas, cujos salários variam de R$ 610,00 ? o menor cargo (motorista), a R$ R$ 2.400,00 ? o maior cargo (chefe de gabinete).