Política
Ap�s reativar a Oplit, Estado abandona policiais do projeto
A elite da polícia alagoana é pobre. Por trás dos ternos dos chamados ?homens de preto?, da eficiência comprovada em números e do apoio da população, esconde-se o abandono que pode provocar a desativação da Operação Policial Litorânea Integrada (Oplit), mais uma vez. O desdém de final de mandato com a força que une Polícia Civil, Polícia Militar e Guarda Municipal é mais um retrato do descaso com a segurança pública no estado preso ao maior índice de homicídios do País. Por outro lado, esta mesma elite da polícia é rica: de espírito, de abnegação, cidadania e força de vontade para trabalhar sem as mínimas condições de estrutura. A Oplit tem hoje apenas duas viaturas e 53 policiais para atuar numa área com mais de 100 mil habitantes. Quando foi criada no ano 2000, tinha seis viaturas e 107 policiais, mas tropeçou nos vacilos titubeantes do governo que deu ordem para fechar a operação, depois se arrependeu, mudou de ideia, mandou reabrir, mas não investiu na estrutura. Recriada em março deste ano pelo então secretário de Defesa Social e ex-candidato ao governo, Eduardo Tavares, a Oplit espera até hoje pelo prometido reforço de mais vinte integrantes. Ao invés disso sofreu cortes. A redução da criminalidade na área e a performance dos policiais que trabalham mais do que os que estão em delegacias e quartéis nunca foram recompensadas. Pelo contrário, os PMs que recebiam uma gratificação de classificação tiveram este dinheiro cortado do soldo. A estrutura só existe porque foi bancada pela iniciativa privada. O Estado não paga nem os ?uniformes?, e os policiais precisam comprar seus ternos com os baixos salários que recebem. Há homens de preto que só têm um terno e passam por situações constrangedoras ao usar sempre a mesma roupa em todo dia de trabalho.