Política
Deputado defende novo modelo pol�tico-social / Parte II
O senhor pensa no governo? - Político que disser que não imagina um dia sentar na cadeira de governador está mentindo ou se despedindo da vida pública. Minha idade permite que tenha esse sonho. Se o povo assim desejar, pretendo ser uma opção para o futuro. Como o senhor vê o bolsão de miséria que infelicita o Estado e seu povo? - O homem, nascido em berço de ouro ou nos grotões, veio ao mundo para ser feliz. Hoje, no entanto, com a evolução dos tempos, as desigualdades, infelizmente, dividem os bem-sucedidos dos desprotegidos da sorte. Para ele, quem exerce cargos públicos ? no Legislativo, Executivo e Judiciário ? tem mais do que obrigação ? ?o dever cívico de lutar, no peito e na raça, contra as injustiças sociais?. E manda mais um recado: ?Imagino uma Alagoas rica na confraternização, sem arrogância, prepotência, sem maldade, onde todos tenham os mesmos direitos?. Calamidade Durante a campanha, o deputado percorreu Maceió inteira pelo menos dez vezes e constatou, in loco, que a situação passou do patamar de calamidade pública. No Interior, ele afirma que o quadro desolador também é de cortar o coração, pois na zona rural, apesar da tranqüilidade, falta tudo. Aponta a falta de comida como a maior tragédia que presencia no contado direto com a população, nas suas andanças. ?Poucos têm muito e muitos têm pouco?. Com o mandato, a partir de fevereiro, promete arregaçar as mangas para encarar de frente o que considera a maior vergonha que se registra nos dias atuais: ?Crianças, adultos e velhos circulam pelas ruas, sem opção de emprego, mendigando um prato de feijão para matar a fome. - De uma coisa todos podem ter certeza: estarei no plenário da Assembléia Legislativa firmemente empenhado na defesa dos menos favorecidos. Em sua opinião, é inadmissível que enquanto em residências abastadas todos façam pelo menos três refeições diárias, nos barracos da periferia não haja nem cadeira para acomodar as famílias. ?Isso não existe. Só sabe o que representa estômago vazio quem, como eu, se mistura com grande parte da comunidade que vive à margem da sociedade?. Protetor Na Ponta Grossa e bairros adjacentes, o deputado Marcos Barbosa é visto como o santo protetor da pobreza que recebe, sem-cerimônia, na alegria e na tristeza. É ele que faz a feira de quem não tem nada na cozinha, acorda de madruga para levar enfermos aos hospitais e junta até casais separados por força das dificuldades naturais da vida. - Um dia, descansando com a família, um velho eleitor bateu à porta com fisionomia desesperada. Pelo seu semblante, pensei ser caso de morte. Mas, na verdade, se tratava de um caso de amor. Ele havia se separado da mulher, era avesso à bebida, mas nessa noite não suportou a dor da saudade. Barbosa ouviu as lamentações pacientemente e, depois de oferecer uma fatia de bolo, foi à residência do casal e lá, após breve diálogo, promoveu a reaproximação que, aparentemente, parecia impossível. Nessa caminhada de assistência social, o deputado faz de tudo um pouco e, em algumas oportunidades, já cumpriu até a missão de parteiro. Ele conta que certa vez uma senhora, no momento das dores, não tinha a quem apelar. - Foi a minha casa, com um ?bucho? enorme, e tentei conduzi-la à maternidade, mas não deu tempo. A criança nasceu dentro do meu carro e, inexperiente, sem jeito, tive que acomodá-la no colo. Solidariedade Pelo que já passou, acredita que a solidariedade, que deveria ser prática natural, salva vidas, tira adolescentes das drogas, evita suicídios e, na hora certa, serve de agente gerador de emprego. ?Não se pode negar que, na desilusão do cotidiano, existem muitos bandidos, oportunistas e vigaristas, mas também há gestos que impressionam pelo sentimento de bondade. Barbosa lamenta que muitos linguarudos, por pura maldade, só com o intuito de se meter na vida alheia, espalhem pelas esquinas que ele, depois de eleito, se mudou da Ponta Grossa. - Quem me conhece sabe que sou um homem humilde, sem vaidade, coerente, que nunca abandonou as raízes. Nasci e cresci no endereço 77, na Rua da Glória, de onde só pretendo sair direto para o cemitério de São José. Admirador da máxima segundo a qual ?ninguém vive o presente sem consultar o passado?, o deputado amarra sua convicção de nunca desprezar quem está ao seu lado. Mas entende, porém, que amizade em política é como pé de cobra, ou seja, não existe. Ele vê educação e saúde, na estrutura do serviço público, como carros-chefes da arrancada do de-senvolvimento que, em sua opinião, estacionou no tempo e no espaço. ?O presidente Lula é a grande esperança do Brasil e se não acertar não sei para onde vamos caminhar. Torço, trabalho e boto fé, senão o País mergulha definitivamente no buraco?.