Política
Baixos �ndices sociais marcam emancipa��o de Alagoas
A apenas três anos de completar o bicentenário da sua emancipação política, Alagoas ainda está presa a indicadores sociais e econômicos atrasados em pelo menos duas décadas em relação à média nacional. É aqui onde estão o pior Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), o maior número de analfabetos, a maior taxa de mortalidade infantil, a terceira pior renda per capita do país e o maior número de mortes violentas. Além disso, num choque de conceito do significado de ?se emancipar?, o Estado segue incapaz de caminhar com as próprias pernas numa extrema dependência da União para realizar as ações e levar os serviços mais básicos aos seus cidadãos. Esse Estado que completa na próxima terça-feira, 16 de setembro, 197 anos de emancipação vive extraoficialmente numa lógica de quase federalização em praticamente tudo o que se refere a investimentos públicos, sejam para obras ou para manutenção de serviços à população. Somente em 2013, os recursos transferidos pelo governo federal para Alagoas chegaram a R$ 7,7 bilhões de transferências obrigatórias e voluntárias. Some-se a esse montante mais R$ 4 bilhões de previdência social, ou seja, R$ 11,7 bilhões, mais de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) estadual. Dentro desse valor, estão os recursos para pagar 480 mil aposentados e 430 mil beneficiários do programa Bolsa Família. Para fazer uma reflexão sobre o significado da data, as raízes dos atuais problemas e o que Alagoas representa hoje para o país, como ele se projeta para fora e de que forma contribui para a nação, a Gazeta entrevistou três professores universitários especialistas em determinados períodos históricos do Estado e em economia alagoana. Para o economista e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Fábio Guedes, a liderança de Alagoas nos piores indicadores sociais econômicos da nação é lamentável e não tem uma explicação única. O primeiro item desse elenco de causas seria a profunda fragilidade das finanças públicas com suas limitadas condições de realização de investimentos. ?Esse quadro é decorrente de décadas de recursos públicos desperdiçados em processos comprovados de corrupção e desvios, dívidas contraídas por grupos econômicos junto a instituições públicas estaduais e não pagas, sucessivas gestões ineficientes na aplicação de recursos e, por fim, diminuição dramática da base tributária, com a redução de alíquotas fiscais de certos segmentos econômicos?, explica.