Política
Costa critica apoio de Lula a dissidentes do PMDB
O presidente estadual do PMDB, advogado José Costa, é favorável a que seu partido faça oposição ao futuro governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atuando como contraponto nas grandes decisões que o Congresso Nacional precisa tomar na aprovação de reformas prementes que possam garantir a governabilidade do País. O presidente eleito, na sua avaliação, cometeu grande equívoco ? ?uma espécie de miopia política? ? em trocar o apoio institucional do PMDB por uma pequena dissidência dentro do partido. José Costa, ex-deputado federal e 1º suplente do senador eleito Renan Calheiros (PMDB), analisa o momento atual do governo que assumirá terça-feira em dois aspectos. O primeiro envolve uma visão de fora para dentro do PMDB; o segundo, uma visão que ele tem do partido como oposição, ?por ser esta a vontade demonstrada claramente pela sociedade brasileira?. No primeiro momento, Costa observa que o PMDB apoiou a candidatura de Lula em 15 Estados e que o presidente eleito poderia olhar não apenas esta realidade, mas a representação da sigla no Congresso Nacional (70 parlamentares na Câmara e 21 no Senado) e propor ao partido uma agenda que envolva a votação das grandes reformas que o País precisa fazer. Mas a atitude demonstrada nesse aspecto pelo novo presidente, segundo José Costa, caracterizou o que se pode chamar de miopia política. ?Acho que Lula não agiu, poderíamos dizer, da forma mais lúcida, mais adequada. Preferiu atender dissidentes do partido, como José Sarney, Roberto Requião e Orestes Quércia?. Expulsão de Sarney No entendimento de José Costa, Sarney não tem nada a ver com o PMDB. ?Ele deveria ter sido expulso há muito tempo do partido?, reforça. Este mesmo critério ele defende em relação a Quércia ? ?que representa uma facção do PMDB de há muito repudiada pelo grupo de São Paulo?. Requião, apesar de ser do PMDB, é visto por Costa como uma figura polêmica no partido. Do ponto de vista macro, o presidente estadual do PMDB entende que a sociedade brasileira precisa com a máxima urgência que o Congresso aprove as reformas que se fazem necessárias na Previdência, na área fiscal e na política, abrindo caminho para as grandes transformações estruturais do País. ?Lula mostraria sua grande vocação política se chamasse o PMDB para participar desse esforço comum do Congresso, mas ele preferiu ouvir os dissidentes do partido?, lamenta José Costa. Do outro lado, com visão partidária e de peemedebista autêntico, José Costa entende que a sociedade brasileira demonstrou claramente que desejar ver o PMDB na oposição e que o partido, nessa condição, precisa cumprir seu papel, independentemente de cargos. ?Eu sei que, concretamente, a oferta de dois ministérios foi iniciativa de Zé Dirceu (ex-presidente nacional do PT e futuro ministro-chefe da Casa Civil), mas de última hora o novo presidente da República preferiu nomear para o ministério políticos do PT ou dos partidos que desde a primeira hora formaram com a candidatura petista, desautorizando assim o Zé Dirceu, faz com que o PMDB seja levado a uma reflexão de ficar na oposição, sem pleitear cargo algum, votando aquilo que seja do interesse da nação, mas fazendo o contraponto, não permitindo que Lula ? eleito com um enorme crédito, um enorme cacife da sociedade brasileira ? venha a se transformar num ditador?, defende José Costa.