Política
Corrup��o na Petrobras deve inviabilizar estaleiro em AL
Depois de uma luta de quase cinco anos para conseguir a licença prévia de instalação, o Estaleiro do Nordeste (Enor) enfrenta novos obstáculos para sair do papel. O financiamento de R$ 2 bilhões para a obra, concedido pelo Fundo da Marinha Mercante (FMM), foi cancelado em agosto, poucos dias depois de o Instituto Brasileiro dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ter liberado a papelada. O motivo alegado é decurso de prazo, ou seja, o início da construção do empreendimento extrapolou o limite de tempo estabelecido pelas regras, que é de um ano após a concessão. O cancelamento ainda pode ser revertido, conforme executivos do Grupo Synergy, responsável pelo projeto, mas, para agravar o quadro de incertezas, o setor petrolífero passa por uma crise alastrada com as consequências da operação Lava-Jato, que investiga um suposto esquema de propinas na Petrobras - o ?Petrolão?. Os contratos com a estatal são o principal lastro da indústria naval brasileira. Com as suas demonstrações financeiras rejeitadas pelo auditor externo, a empresa não pode emitir dívida nos Estados Unidos, o que limita - e muito - a margem de manobra para refinanciar parte de sua dívida e obter uma nova. Como a petrolífera necessita captar valores astronômicos - entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões -, o cenário é de especulações quanto ao seu futuro e capacidade de investimentos. Anunciado como esperança de redenção econômica não apenas para Coruripe - onde deve ser instalado - e Litoral Sul, mas para todo o estado, o estaleiro de Alagoas também está fortemente ameaçado por ter perdido um período econômico favorável devido ao tempo que levou para conseguir a licença. ?O timing do estaleiro era o mais propício, mas faltou esforço da classe política. O que era fácil, conseguiram complicar. Nós temos área e recursos, no entanto, o local para instalação do empreendimento sequer foi desapropriado. O empresário fez a parte dele, faltou a parte dos políticos?, afirma o deputado estadual João Henrique Caldas (SD), o JHC.