Política
Lessa se emociona ao relembrar torturas
A Comissão da Verdade alagoana ouviu, ontem, o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT), preso político entre os anos 1969 e 1970, durante o regime militar brasileiro. Em depoimento emocionado, que durou mais de duas horas, Lessa relatou a tortura psicológica que sofreu e como viveu os anos seguintes à prisão, vigiado pela ditadura militar. As declarações aconteceram no mesmo dia em que o relatório final da Comissão Nacional da Verdade foi entregue à presidente Dilma Rousseff e quando se comemora o Dia Internacional dos Direitos Humanos (leia mais sobre o assunto em Nacional) ?Era líder estudantil, um jovem que não pertencia a nenhuma organização política, mas, mesmo assim, fui considerado perigoso pela ditadura militar?, contou Lessa, que foi preso no dia 12 de abril de 1969 na orla da Pajuçara, em Maceió, em frente ao Colégio Imaculada Conceição, por ter denunciado crimes cometidos pelo regime militar. ?Levaram-me para o DOPS [Departamento de Ordem e Política Social], no centro de Maceió. Um amigo que me acompanhava ficou esperando na porta. Horas depois, ele tentou saber notícias minhas e foi informado de que eu nunca estivera ali?, afirmou o ex-governador, que se elegeu deputado federal por Alagoas este ano. Ronaldo Lessa afirmou que, mesmo sob tortura, não delatou outras pessoas que se opunham ao regime militar: ?Durante dias fiquei incomunicável, sofrendo tortura psicológica. O tempo todo diziam que iam me matar caso não desse informações sobre as pessoas que estavam se opondo ao regime. Resisti. Fui liberado semanas depois, mas respondi a processo e acabei absolvido, em julgamento ocorrido no IV Exército, no Recife. Mendes de Barros foi meu advogado?. A participação de Lessa na política aumentou depois da prisão e, mesmo absolvido, também cresceu a pressão e a vigilância do regime em cima dele. Já membro do clandestino PCR (Partido Comunista Revolucionário), o então estudante e atleta chegou a ser preso, novamente, durante os jogos universitários de 1970, em Fortaleza (CE), sob a justificativa de que ele representava uma ameaça ao presidente Emílio Garrastazu Médici, que estaria na cidade. ?Os estudantes ameaçaram não participar dos jogos. Daí, a ditadura resolveu me manter em prisão domiciliar?, relatou.