Política
CUT acha aumento ilegal, imoral e responsabiliza povo pelo abuso
A exemplo dos outros Estados brasileiros, em Alagoas o aumento de 54% nos salários dos senadores, deputados federias e deputados estaduais e vereadores não teve aprovação da classe trabalhadora. Na opinião de Évio Lima, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o reajuste, apesar de legal, é imoral e foi aprovado em um momento inoportuno. ?Infelizmente, o povo é o culpado por esse abuso. Precisamos, na hora de votar, saber escolher os legítimos representantes do povo e não defensores da classe empresarial. Os parlamentares deveriam estar preocupados com o aumento do salário mínimo. Contudo, nada de concreto foi decidido sobre esse assunto. Eles quiseram garantir os próprios salários?. Évio Lima afirmou, ainda, que a tendência é piorar. Ele acredita que a bancada alagoana que vai atuar no poder a partir de fevereiro deste ano é ainda pior do que a que está prestes a sair. ?A sociedade soube eleger o presidente da República, um homem em consonância com os anseios do povo, mas errou ao eleger a maioria dos parlamentares que representarão o Estado. Outro que repudia o reajuste de 54% nos salários dos parlamentares é Wellington Monteiro, do Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais. Para ele, a medida é, no mínimo, repugnante. ?É vergonhoso termos políticos legislando em causa própria e promovendo reajustes salariais infinitamente superiores aos demais brasileiros em um país onde milhares de pessoas não percebem sequer um salário mínimo?, revolta-se. Wellington Monteiro, que é também presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Alagoas, defende uma política pública que dê condições de os vencimentos serem calculados da forma mais justa possível, para não causar uma disparidade econômica tão absurda. De acordo com o sindicalista, o aumento carateriza um comportamento abusivo, uma prova de que alguns legisladores agem, exclusivamente, em causa própria em detrimento das necessidades da esmagadora maioria dos trabalhadores e não apenas dos servidores federais, estaduais e municipais. ?Começamos o ano de 2003, com a esperança de que o governo Lula, mediante o PT, vai propor a adoção de uma política séria e reguladora, visando achar a solução para esses reajuste abusivos que definimos como um comportamento deveras imoral?.