Política
ESTOU COM VONTADE DE VIRAR A P�GINA
Prestes a finalizar uma gestão de oito anos, o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) tem gasto parte de seus últimos dias inaugurando obras realizadas por sua gestão. Um ritmo de viagens e eventos típico de quem quer mostrar serviço, mas soa mais pertinente a um início e não a um fim de governo. Impermeável a julgamentos dessa natureza e com o velho estilo de fazer o que pensa na hora que quer, Vilela caminha para o desfecho de dois mandatos recheados de dificuldades de todo o gênero ? políticas, financeiras, de relações institucionais e sociais. Duas áreas gritam como os piores desempenhos ? a educação, cujos índices só despencaram, e a segurança pública, com número recorde de homicídios e o estrangulamento do sistema prisional. Para completar, o motivo de orgulho e argumento mais utilizado em todas as negociações salariais nos últimos oito anos caiu por terra ao apagar das luzes ? o respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Com o limite extrapolado numa relação receita/gastos com pessoal beirando os 50%, o que era conquista virou problema para Renan Filho (PMDB) resolver nos próximos dois quadrimestres. Em entrevista à Gazeta, o governador falou sobre como se sente nestes últimos dias de mandato, apontou o que considera grandes feitos de sua gestão, onde se frustrou e onde se vê no futuro. Arrependimentos sobre posturas adotadas e imensamente criticadas por aliados? Nenhum. Vilela diz que não priorizou o aplauso, mas comemora a mudança na reação das pessoas nos últimos tempos. ?Graças a Deus, não estou recebendo vaia nesse final?, diz. Sobre seu futuro, ele afirma que vai esperar até 2018, que nunca mais quer ser governador e só segue na política se sentir muita falta, mas espera não sentir. ?Estou com vontade de virar a página?, dispara o governador. Gazeta. O senhor passou oito anos repetindo aos servidores o ?mantra? do respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal, tinha isso até como um valor de seu governo. Agora, no final, deixa para Renan Filho a tarefa de ajustar a relação receita/despesa sob pena de incorrer em improbidade administrativa. Como explica essa contradição? Teotonio Vilela Filho. Esse estouro no limite máximo da LRF mostra que eu tinha razão quando resistia aos reajustes salariais, parecendo um samurai defendendo um saco vazio. Alguns aumentos não eram possíveis de ser feitos. Fiz para peritos, policiais. Os sindicatos diziam que eu estava fazendo o cálculo errado e agora ficou claro que eu defendi o certo. Fui o governador que mais recrutou policiais, foram 2.500, mesmo no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal. A queda do FPE, que não esperávamos, também causou isso. A receita despencou. Isso não vai prejudicar o Renan porque ninguém vai obrigar o governador a desobedecer a lei. Nas campanhas, todo mundo dizia que ia chamar a reserva técnica, fazer concurso e eu dizia ?gente, não vai dar pra fazer?. Está aí a prova. A violência, uma das maiores fraquezas de sua gestão, segue em índices altíssimos mesmo após o Brasil Mais Seguro. O que deu errado? O Brasil Mais Seguro tem sido importante, mas não o suficiente para derrubar os homicídios, o patamar ainda é altíssimo, inaceitável. É um processo duro. Criamos a Secretaria da Paz para acolher drogados, temos investido na fixação do homem no campo, que é também uma forma de combater a violência. Trazer mais empresas é um trabalho social. É muito fácil dizer que não fizemos nada. A geração de empregos reduz a violência. Temos trabalhado, o caminho é esse. Em que situação entrega o governo a Renan Filho no próximo dia 1º de janeiro? Vou passar o governo no próximo dia 31 com muitas dificuldades ainda. Os indicadores precisam melhorar, mas todos estão com a inflexão positiva. O décimo terceiro estará pago. Renan Filho terá condições de contratar financiamentos de longo prazo. Tem R$ 375 milhões do Banco Mundial disponíveis para dar partido ao seu projeto de governo. Ele levaria dois anos para contratar esse financiamento, eu estou deixando tudo pronto. O Estado está apto em relação à capacidade de endividamento. O ajuste fiscal foi muito importante.