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GOVERNO QUER REDUZIR HOMIC�DIOS EM 12% ESTE ANO

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A redução dos alarmantes índices de violência e criminalidade em Alagoas foi uma das promessas mais enfáticas da campanha do governador eleito Renan Filho (PMDB), que escolheu um promotor de Justiça bastante familiarizado com o assunto para assumir a árdua missão. Na segunda semana de trabalho, um turbilhão de medidas tomadas ou anunciadas pela equipe de governo dá a impressão de que o Estado está recebendo, pelo menos à primeira vista, uma espécie de ?tratamento de choque? no que diz respeito à segurança pública. Em entrevista à Gazeta, o secretário de Defesa Social e Ressocialização, Alfredo Gaspar de Mendonça, falou da enxurrada de ações iniciais que estão sendo adotadas e anunciou que a meta para 2015 é reduzir os homicídios em pelo menos 12%. Com ar de quem já sente o peso da responsabilidade que aceitou carregar nos ombros, o promotor licenciado pregou a parceria e disse que já esperava os problemas encontrados: ?Não viemos para cá achando que isso era um ?mar de rosas??. Gazeta. Alagoas registra os piores índices de criminalidade do País. Quais as estratégias para diminuir os homicídios? Vocês já estipularam a meta de redução? Alfredo Gaspar. Estabelecemos uma meta plausível e em cima dela estamos envidando todos os esforços. Se os números de 2014 estiverem corretos, vamos trabalhar com a meta de redução de 12% dos homicídios em 2015. Queremos que a redução seja de 100%, mas temos que trabalhar com a realidade. Há várias ações, mas a imediata é a ostensiva para poder estancar isso aí. Nos reunimos dia após dia com os policiais da ?ponta? e com os comandos. Segundo: não adianta uma inteligência policial separada, todo mundo tem que estar coligado e com o mesmo propósito. Estamos fazendo uma mesa de situação, todo dia, com a Polícia Militar, Polícia Civil, Força Nacional, Sistema Prisional, Polícia Rodoviária Federal e, a partir de hoje [ontem], Polícia Federal. Todos estão unindo forças para o combate mais efetivo. Os três primeiros dias do ano foram de muitos homicídios. A sala de situação já conseguiu detectar alguns problemas e colocamos mais 28 viaturas nas ruas para coibir esses crimes. Não temos problemas só com homicídios. Ele geralmente vem em comum com outros delitos, como crimes patrimoniais, tráfico de drogas, uso de arma de fogo. Temos que trabalhar com um olhar mais amplo e é isso que estamos fazendo. O governador já devolveu mais de 200 militares às ruas, o que possibilitou incrementar companhias, batalhões e suprir cinco cidades que estavam sem policiamento. O Instituto Médico Legal era um problema para funcionar. Em menos de dez dias conseguimos colocá-lo para operar 24h. Tínhamos uma Central de Flagrantes congestionada e, após um estudo rápido, colocamos uma unidade na parte baixa de Maceió no horário de pico. Com menos de 60 dias colocaremos outra Central no Benedito Bentes. O helicóptero estava há oito meses sem voar e nós já deixamos ele pronto, esperando só autorização da Anac. A aeronave reserva do Gabinete do Governador foi cedida para a Sedres e ficará em Arapiraca, cobrindo o Sertão e São Francisco. Ou seja, estamos trabalhando com o mesmo, apenas readequando. Em menos de 20 anos, o estado deixou de ser um dos mais tranquilos para se viver e passou ao mais violento do Brasil. Quais as causas dessa transformação assustadoramente rápida? De quem é a culpa? Não tenho a menor dúvida de que a vinda da droga para o estado causou um impacto negativo muito grande no aumento dos homicídios e crimes patrimoniais. Esse aspecto ninguém vai conseguir desmentir, nem buscar outras causas. As pessoas enveredaram por esse caminho porque o sistema de produção agrícola faliu e surgiram bolsões de miséria, pela falta de emprego, de um bom sistema educacional. A droga veio, trouxe o dinheiro ?fácil? e isso se amplificou até chegar no grau de impunidade em que estamos. Não existe um único culpado. Todos os atores têm responsabilidade, o Poder Executivo, Judiciário, Legislativo, Ministério Público e sociedade. Mas podemos identificar onde cada qual pecou. Isso é fácil. O Executivo pecou porque por muito tempo, e até hoje, ele não tratou a educação como a mola propulsora da sociedade. Os outros Poderes poderiam ter feito mais. Temos centenas e centenas de mandados de prisão para cumprir e não tem vaga nos presídios; temos centenas de réus que vão ser soltos porque a instrução criminal não vai andar a tempo; temos outros crimes que a polícia não conseguiu descobrir a autoria. Há um jogo de empurra grande. Todo o mundo tem responsabilidade. Só que ninguém se preocupa com o que os outros deixaram de fazer, todo mundo está preocupado com o que a Segurança Pública pode fazer para dar uma resposta imediata. O governo Teotonio Vilela tentou várias medidas, mas não conseguiu melhorar, de fato, o quadro da segurança pública. Em quê a gestão passada falhou? Não gosto de olhar para o passado. Os erros do passado servirão de aprendizado para essa gestão. Eu não estava no governo e ainda não tenho o quadro completo para dizer ?a falha foi essa ou aquela?. O que digo é que a desestruturação da segurança pública já vem de alguns governos e Renan Filho sinalizou que reverterá esse quadro. Uma das medidas de Teotonio Vilela, inclusive, foi nomear um membro do Ministério Público como secretário de Defesa Social, nesse caso o procurador Eduardo Tavares. O que um integrante do parquet, a exemplo do Sr., tem a oferecer mais do que um militar como alguns secretários anteriores? Não vim para cá para ser o herói, o mais inteligente, eu vim coordenar a política de segurança pública e irei aproveitar a inteligência de todos, sejam civis ou militares. Vim construir pontes e permitir isso que nós estamos fazendo: juntar forças e colocar numa mesa atores diversos, PMs, policiais civis, federais, Força Nacional, PRF, Perícia Oficial e Sistema Prisional. Quando o governador nos escolheu, eu disse a ele que tenho milhões de defeitos, mas tenho uma grande virtude, que é saber ouvir o que há de melhor. E é ouvindo todos que vivem a segurança pública e que têm vontade de mudar que conseguiremos construir, sem muita teoria, dias melhores. Minha principal função é essa integração. A execução do Programa Brasil Mais Seguro foi criticada por Renan Filho durante a campanha eleitoral. Ele diz que vai ampliá-lo e colocar em prática ações que não foram executadas pela gestão passada. Como será essa ampliação? O governador cuida de segurança pública desde o primeiro dia da gestão, aliás, desde antes de assumir. Em contato com Brasília, ele conseguiu duplicar o efetivo da Força Nacional em Alagoas de 135 para 290 homens. Isso possibilitou que passássemos de cinco para 21 veículos da Força Nacional por dia no policiamento ostensivo. Em nenhum momento o governador criticou o Brasil Mais Seguro, o que ele indicou é que várias ações deixaram de ser executadas por Alagoas. Por exemplo, o governo federal mandou toda a mobília para nove bases comunitárias pactuadas pelo programa e isso tudo está num depósito, porque Alagoas não construiu oito das bases. Só uma saiu do papel. Renan Filho quer pactuar o que pode ser feito e rever o que não foi feito. O volume de recursos enviados pelo Brasil Mais Seguro a Alagoas é alto, cerca de R$ 300 milhões. Ainda assim, o atual governo diz que os resultados foram poucos. Isso quer dizer que as verbas foram mal utilizadas? Não posso falar do volume de recursos porque desde que tomei posse nós estamos aqui cuidando de projetos e convênios. O que posso dizer é que a segurança pública, hoje, só está melhor estruturada praticamente por conta da participação do governo federal. O Estado tem que solicitar ainda mais apoio, porque estamos numa condição de necessidade, mas também tem que cumprir o que foi pactuado. Nessa balança, vejo que o Estado deixou de cumprir muito do que foi pactuado. A recente transferência dos inquéritos de homicídios para a Força Nacional não foi bem recebida por alguns delegados da Polícia Civil, pois a medida pode sugerir que eles não teriam competência ou agilidade suficiente para tocar as investigações. O que motivou a transferência e como o Sr. vê essas rusgas? Primeiro, não estou aqui para discutir vaidade de ?a?, ?b? ou ?c?. Estou aqui para construir soluções em conjunto. A Polícia Civil é essencial para uma segurança pública de qualidade. Temos quadros na PC de excelente resolutividade nas ações, não resta menor dúvida. Mas também não resta dúvida de que a instituição precisa ser incrementada em termos de pessoal. Ela vive sobrecarregada, temos aproximadamente 2.500 inquéritos de homicídios sendo tocados na Polícia Civil. A Força Nacional deve estar investigando, hoje, 12 a 15 homicídios, ou seja, menos de 1% do total. Que transferência de responsabilidade é essa onde a Civil investiga o estado todo e a Força Nacional está ficando com uma parcela tão pequena? Antes, a Força Nacional estava com o resíduo dos inquéritos, e o que nós fizemos foi uma inversão momentânea. Eles estão em parceria, vieram para ajudar, ninguém está tomando nada de ninguém. Estive reunido com o presidente da Associação dos Delegados, Antônio Carlos Lessa, e o delegado-geral da PC, Paulo Cerqueira, e não vi nenhum problema. Pelo contrário, vi uma vontade muito grande da associação em ajudar. Evidentemente, em todo canto se planta, aqui e acolá, uma discórdia. Não existe desprestígio da Polícia Civil. Infelizmente, estamos com uma demanda maior do que podemos resolver e precisamos de parcerias no âmbito da PC e da PM.

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