Política
Base de Lessa n�o aceita antropofagia pol�tica
ARNALDO FERREIRA A engenharia política do governador Ronaldo Lessa para acomodar 20 partidos da base aliadas em mais de 130 cargos de primeiro, segundo e terceiro escalões da reforma administrativa, garante a governabilidade em 2003 e ajuda a construir a unidade para uma possível candidatura única do centro-esquerda, na disputa pela prefeitura de Maceió em 2004, revelou o articulador político do PSB, Wellison Miranda. Porém, os partidos de esquerda e de centro não aceitam a ?antropofagia política?. Isso ficou claro através de manifestações isoladas do PPS, PCdoB, PMDB, PT e partidos emergentes. Todos prometem lançar chapas completas de candidatos a prefeito e vereador. No campo da oposição, ainda há muito silêncio, mas as articulações já acontecem nos bastidores. Projetos estratégicos O presidente do PCdoB, Eduardo Bonfim, nomeado para secretário de Cultura, num recado curto e grosso lembrou a necessidade de haver maturidade política para evitar a ?antropofagia partidária? na base aliada. Segundo ele, é correto um projeto de unificação dos partidos de esquerda para as disputas eleitorais de 2004 e 2006. ?Mas isto não quer dizer que os partidos têm de abdicar seus projetos. Lula quando começou a construir o projeto de coalizão política não pediu a ninguém que não lançasse candidaturas municipais em 2004. Este é um ensinamento que temos de praticar?, acredita Bonfim. Desta maneira, deixou claro que o PCdoB tem um projeto estratégico e promete discuti-lo com a base aliada. Esse é o dilema também vivido pelos dirigentes do PT alagoano que aceitam ficar na base de sustentação do governo, sem ocupar cargos. Os petistas, como Ricardo Coelho e outros mais radicais defendem independência para evitar desgastes. Porém, a direção nacional do partido recomenda o apoio a Lessa. O problema está nas eleições municipais de 2004. O partido quer ampliar suas bases municipais. O PPS está na Secretaria de Irrigação e Recursos Hídricos. Mesmo assim, o secretário-geral do partido, Juca Carvalho, repete: ?vamos ter chapa completa em 2004?. A composição com o governo, segundo a direção do PPS, não implica na renúncia aos projetos eleitorais. ?A composição da frente de esquerda quer garantir a governabilidade?, diz o presidente do partido, secretário Anivaldo Miranda. O PDT depois de muitos desencontros agora se submete às articulações políticas do governador. O presidente do diretório municipal, Corintho Campelo da Paz, no discurso de posse na Secretaria do Trabalho, Emprego e Renda deixou claro que ?voltamos ao governo por acreditar no projeto político?, assumiu, melosamente, o secretário. Os problemas da coalizão só vão aparecer no final de 2003, quando as candidaturas dos partidos despontarem.