Política
Seca deixa 200 mil flagelados no semi-�rido
ARNALDO FERREIRA A estiagem arrasa lavouras de subsistência em 50 municípios do Sertão e Agreste, mata o gado e deixa 200 mil alagoanos com sede e fome. A informação é do presidente da Associação dos Municípios Alagoas (AMA), o prefeito de Pão de Açúcar, Jorge Dantas (PSDB), ao acrescentar que ?a situação é dramática?. Os municípios da região semi-árida estão gastando toda a economia na contratação de caminhões-pipa, na aquisição de cestas básicas para as famílias que não recebem os recursos dos programas sociais do governo federal. No alto Sertão, o desespero da população leva muita gente a consumir água suja dos barreiros. No vale do São Francisco, que banha municípios do agreste, mais de 50 mil alagoanos bebem água do rio e sem tratamento. Os técnicos do governo estadual e AMA neste momento trabalham em parceria para socorrer as famílias que vivem nas zonas rurais. A bancada de deputados federais tenta agilizar junto ao ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes (PPS/CE), para a liberação dos recursos para pelo menos aumentar a oferta de água através de caminhões-pipa. O secretário estadual de Recursos Hídricos e Irrigação, Anivaldo Miranda, que é presidente do PPS estadual, será contatado para tentar conseguir ajuda de Brasília às vítimas. Os efeitos da estiagem afeta também o município de Arapiraca que nos últimos anos conseguiu melhorar a rede de abastecimento de água tratada na área urbana e rural. A prefeita Célia Rocha (PSDB) disse que 50% da área rural tem água encanada e 90% da zona urbana não enfrenta mais o drama da seca. ?Mas, ainda temos problemas?. Seis caminhões-pipa socorrem as vítimas de vinte localidades rurais e urbanas. A prefeitura gasta, mensalmente, cerca de R$ 100 mil para levar água e socorrer as vítimas. Cerca de 15 municípios do agreste consome água da adutora do agreste. A maioria dos açudes está seca. População consome água de açudes e do Rio São Francisco O Centro Tecnológico da Aeronáutica-CTA, em seu relatório confidencial sobre a situação climática do Nordeste, prevê estiagem longa a partir de 2003 e o agravamento da situação a partir de 2005, com drásticas consequências. Embora o relatório tenha sido desconsiderado por se conflitar com a dinâmica das previsões atmosféricas, cuja avaliação do clima se ampara nas pesquisas com equipamentos eletrônicos de alta precisão, o especialista Marcos Carnaúba revela que os últimos registros climáticos confirmam o relatório confidencial do CTA, datado de 1978. ?O relatório do CTA tem apresentado alto índice de acerto?. Municípios mais críticos Os municípios de Delmiro Gouveia, São José da Tapera, Canapi, Inhapi, Ouro Branco, Maravilha, Olivença, Dois Riachos, Major Izidoro, Batalha, Pão de Açúcar, Traipu, Olho D?água do Casado, Olha D?água das Flores, Jacaré dos Homens, entre outros enfrentam a estiagem, que completa oito meses. No município de Traipu, por exemplo, o prefeito Marcos Santana (PSDB) revelou que seis caminhões-pipa transportam água para 36 localidades, onde vivem 20 mil dos 25 mil moradores da região, que fica a 178 quilômetros da capital. ?A seca é um dos fatores que contribuem para que a nossa região tenha o pior Índice de Desenvolvimento Humano?, afirmou o prefeito. Os flagelados consomem água do São Francisco e açudes, sem tratamento. Os médicos admitem que a mortalidade infantil vai crescer por causa do número de crianças doentes (AF).