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Descriminaliza��o das drogas - II

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DESCRIMINALIZAÇÃO DAS DROGAS: DO DEBATE À GUERRA » MARCELO NIEL - Médico psiquiatra, psicoterapeuta e especializado no tratamento de dependentes químicos Nos últimos tempos, a descriminalização das drogas tem sido um assunto constantemente abordado nos veículos de comunicação. É óbvio que um assunto desses gera polêmica e promove discussões acaloradas em diversos grupos em nossa sociedade, fazendo o debate virar guerra. Nossos jovens, em sua maioria, são a favor da descriminalização. Isso porque, entre outras coisas, é próprio da juventude levantar bandeiras revolucionárias e libertárias; por outro lado, pais e educadores se apavoram: têm medo de que isso facilite o ingresso dos jovens ao tão temido ?mundo das drogas?. Como todo assunto que se alastra, há quem se aproveite dele para fazer terrorismo, alardear o medo e o terror, o que acaba fazendo com que a população, muitas vezes leiga e mal informada, clame por medidas repressivas e delegue seu poder de decisão a ditadores. Temos vários exemplos como esse na História, como o ?fantasma do comunismo? alardeado pelos americanos. Existem dois questionamentos que se deve fazer ao falar em descriminalização: descriminalizar o quê e descriminalizar para quê? Hoje, a descriminalização discutida gira em torno principalmente da maconha. E por que a maconha? Porque a maconha é considerada, não pelo leigo, mas pelos organismos internacionais de saúde, uma droga ?leve?, porque os prejuízos para quem a consome são muito menores quando comparados a outras drogas. Sem contar que ela apresenta várias finalidades terapêuticas, como seu uso em casos de glaucoma, quadros dolorosos crônicos, pacientes em quimioterapia e em terapia contra o HIV, no intuito de diminuir os efeitos colaterais desses medicamentos, melhorando a adesão ao tratamento. Esses fatores têm motivado vários Estados americanos a aprovar seu uso terapêutico, permitindo inclusive que médicos prescrevam a maconha in natura, ao invés de seu análogo sintético, cujos efeitos terapêuticos são menos eficientes. Além disso, a maconha pode ser utilizada de forma bastante eficiente no controle da dependência do crack. Um estudo realizado pelo Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad) da Universidade Federal de São Paulo demonstrou que 68% dos dependentes de crack avaliados no estudo conseguiram atingir a abstinência fumando apenas maconha. O importante é lembrarmos que a descriminalização das drogas já está acontecendo em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil. Em 2006, Lula aprovou a Lei no 11.343, que promoveu diversas mudanças nas políticas públicas relacionadas às drogas, o que foi considerado um avanço no cenário nacional e mundial, porque descriminalizou ?parcialmente? o uso das drogas, como uma forma de discriminar aquele que é usuário de drogas, seja ele dependente ou não do traficante, deixando o usuário a cargo do sistema de saúde, sendo encaminhado para orientação e tratamento, enquanto a Justiça se encarrega do traficante. E pode-se dizer que muito se ganhou com isso, porque diversos jovens deixaram de ser presos pelo seu uso, afastando-o do risco de iniciar uma carreira de marginalidade e evitando estigma e traumas psicológicos decorrentes da detenção.(...) Os pais devem estar presentes na educação de seus filhos. Conhecer seus amigos, seus destinos, manter o diálogo aberto, não agir com violência quando ?descobrem? que seu filho está consumindo algum tipo de droga. Não devem oferecer bebidas alcoólicas aos seus filhos menores de idade, de forma a não incentivar esse uso precoce. No entanto, como um pai pode querer que seu filho não beba precocemente se, contrariando as leis do nosso país, dirige embriagado? A educação, em casa e na escola, é a base para o estabelecimento da capacidade de discernir entre certo e errado na mente de um indivíduo e, sem dúvida, vai influenciar na relação que o indivíduo estabelece com o uso de drogas.

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