Política
Verba de �reas sociais vai parar em rodovias
Os sonhos viraram asfalto. O rolo compressor do final do governo passado atropelou a segurança pública, a saúde, a educação e outras ?prioridades? do Estado de Alagoas. A ilusão opaca do piche no chão escureceu a esperança de projetos brilhantes ? como a construção de escolas, centros de saúde, leitos de UTI Neonatal, sede do Instituto de Criminalística (IC), ampliação do VLT e polos industriais no interior. No apagar das luzes, a gestão tucana retirou R$ 188 milhões de obras estratégicas em diversas áreas para (teoricamente) fazer uma coisa só: estradas, estradas e mais estradas. A origem da lambança está no Programa de Apoio ao Investimento dos Estados (Proinveste), que abriu as torneiras do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para compensar as perdas estaduais, após a política de redução de impostos do governo federal, em 2012. Rios de dinheiro vieram, mas o governo de Alagoas não teve competência para aplicá-los. Faltaram projetos e as devidas prestações de contas. Para não passar a vergonha de perder toda a verba, a burocracia deu lugar ao improviso, com a execução de projetos mais simples e ênfase na recuperação de rodovias. O Proinveste liberou R$ 611 milhões para o Estado, no início de 2013, com prazo de validade para aplicação até o final de 2014. A Gazeta teve acesso ao escopo inicial e às planilhas do que foi executado pelo programa em Alagoas. É um escândalo. De cara, o Estado perdeu R$ 89 milhões para o duvidoso refinanciamento de uma dívida de 2009, que gerou críticas após aprovação na Assembleia Legislativa Estadual (ALE). No meio do caminho, mais de R$ 20 milhões derreteram em projetos mirabolantes, como um sistema para gerenciar atas que custou R$ 3 milhões. E, de ?lambuja?, no final de tudo, o governo ainda devolveu o ?troco? de R$ 26 milhões que não conseguiu executar. Juntando estes supostos desvios de finalidade com os R$ 188 milhões que viraram asfalto, chega-se a uma soma de R$ 323 milhões. Dinheiro que estava garantido para Alagoas investir em despesas de capital, como a implantação de leitos neonatais de Unidades de Cuidados Intermediários (UCIs) e de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), que receberiam R$ 6 milhões, ou a construção de centros regionais de especialidades médicas (orçados em R$ 64 milhões). O Hospital Geral de Maceió também podia estar neste aporte de capital do BNDES, que incluía obras civis, aquisição de máquinas, equipamentos e veículos. Foi quase tudo parar na pista.