Política
Collor critica arrocho fiscal do governo
O senador Fernando Collor de Mello (PTB) utilizou a tribuna do Senado, na tarde de ontem, para chamar a atenção para o impacto das Medidas Provisórias 664 e 665 ? que dispõem sobre o arrocho fiscal promovido pelo governo ? que vão recair sobre os trabalhadores que ganham menos. Ele lembrou que são eles, os assalariados, aposentados e pensionistas de menor renda os mais atingidos pelas mudanças nas regras do Seguro-Desemprego, do Abono Salarial, do Auxílio-Doença, da Pensão por Morte e do Seguro-Defeso. ?Não é razoável, menos ainda aceitável, que mais uma vez o trabalhador seja o maior sacrificado direto dos ajustes que o governo precisa implantar na política fiscal. Lembro que o partido que integro, o PTB, é, por sua história, seus antecedentes e seus pressupostos de atuação, o mais antigo e reconhecido partido dos trabalhadores do Brasil. Não nego que medidas nesta área fiscal, e em muitas outras, guardam coerência com a situação do País e precisam ser tomadas. Mas isso não é de hoje. Há muito o Brasil precisa rever e reformular suas políticas, tanto no campo fiscal, tributário e financeiro, como na seara administrativa?, expôs Collor. Ao longo dos últimos dois anos, Collor presidiu a Comissão de Infraestrutura e Serviços e, por diversas vezes, chamou a atenção para a necessidade de diminuir os gargalos que travam o crescimento socioeconômico do Brasil. Ainda no pronunciamento de ontem à tarde, o senador lembrou que o principal questionamento do ajuste fiscal se dá exatamente quanto à oportunidade, o momento da elaboração e, principalmente, da implantação das novas regras. ?Sabemos que os próximos anos serão difíceis para a economia brasileira, com reflexos imediatos em todas as demais áreas de intervenção do governo e de alcance do próprio mercado. Por que justamente no momento em que um período recessivo da atividade econômica se anuncia e se apresenta, é que vamos ainda mais agravar a situação do trabalhador? Por que vamos tirar os benefícios do trabalhador justamente agora? E pior, de forma repentina, apressada e, talvez, indelével?, questionou. Sem discussão alguma com o Congresso Nacional, o governo federal enviou, no mês de dezembro, as medidas provisórias e, diante disso, os pacotes do ajuste fiscal entraram em vigor. Collor também chamou a atenção para esse fato, sugerindo, inclusive, ao governo federal que o mais prudente é a pronta e imediata retirada dessas medidas provisórias. E, numa inversão de prioridades, argumentou o senador, o governo deveria, antes de implantar novas iniciativas, mostrar empenho e denodo, adotando medidas administrativas para desburocratizar e reduzir o custo da máquina estatal.