Política
CONJUNTOS SE TORNARAM ESCONDERIJOS
Integrantes do Neac e do Serviço de Inteligência da PM classificam os residenciais do Programa da Reconstrução como ?áreas de guerrilha? e ?bombas-relógio?. Assim como acontece em outros conjuntos habitacionais populares, os especialistas em segurança alertam: o Estado não concebe os projetos como deve, aborta a decência e continua parindo prematuros ?depósitos de gente?. É uma geração infernal, submersa entre o medo e a violência; o ócio e a revolta. Presas e predadores se misturam como fetos da mesma placenta. Não tem gravidez que aguente, o líquido acaba ou a bolsa arrebenta. ?Tem muitas pessoas de bem nesses conjuntos, mas eles ficam reféns da criminalidade, existe uma certa guerrilha lá, o traficante oferece segurança?, informa o coordenador da Inteligência do Comando de Policiamento da Capital (CPC), cujo nome não pode ser revelado. Além das vítimas da chuva, há aglomerados construídos para substituir favelas, como é o caso do conjunto José Aprígio Vilela. Localizado na periferia entre o Benedito Bentes e o Alto de Guaxuma, este é considerado um dos pontos mais críticos da região metropolitana. ?O Aprígio Vilela requer uma atenção maior, lá serve de esconderijo e é rota de fuga para vários bairros, conjuntos e grotas?, explica. O coordenador é categórico ao afirmar que ?o Aprígio Vilela é um depósito de gente, assim como vários conjuntos da Reconstrução?. E nossas fontes do Serviço de Inteligência completam: ?Você quer o quê? Colocam eles num local sem estrutura de lazer, educação, saneamento, asfalto e dificuldade de acesso? O poder público não chega nesses locais?. Quem chega mesmo é a droga. Há inúmeros casos de invasões, em que envolvidos com o tráfico expulsam moradores para transformar suas residências em ponto de venda e consumo. A Inteligência também registra muitos aluguéis de imóveis, que ficam vazios. São ocupados apenas quando chega a droga para distribuição. ?Você chega em vários locais, e eles estão vazios, às vezes apenas com um colchão, uma garrafa de refrigerante ou nem isso?, explica o coordenador da Inteligência.