Política
Estado investiga uso de empr�stimo de R$ 1 bi
Era uma vez uma porca. Enorme, pesada e cheia de tetas, uma fábrica de leite. Ela quase não se mexe, mas fornece para quem quiser. É uma festa para os leitões e bacuris que passam por perto. Basta chegar, meter a boca, sugar e se lambuzar. Só tem um detalhe: quando o filhote crescer e virar um porcão vai ter que pagar, com juros e correção monetária, sem choro pelo leite derramado. Senão ela torce o rabo e quem mamou fica travado, enturido. O nome da porca é Proinveste. Em 2014, suas tetas foram tão exploradas que foi preciso chamar sua irmã, a Procofins, para dar conta de tantos suínos ávidos pela mamata. Coincidência ou não, existe Proinveste na vida real. É o Programa de Apoio ao Investimento dos Estados, um tipo de empréstimo. Por mera semelhança, Procofins é a sigla de um tipo de fiado com nome pomposo: Programa de Consolidação Fiscal. No final do governo passado, o Estado de Alagoas aumentou a sua dívida em mais de R$ 1 bilhão com recursos do Proinveste e Procofins. O objetivo era investir em obras estruturantes para áreas prioritárias, como Segurança Pública, Saúde, Educação, Indústria e Agricultura. A fortuna veio, a conta foi colocada ?no prego?, mas quase nada aconteceu como estava previsto no escopo inicial dos programas. Hoje, a fonte secou, muitas obras sequer iniciaram e outras tantas não têm recursos para continuar. E onde está o dinheiro? O gato comeu? Ainda não sabemos se há felinos nesta fábula suína, mas o atual governo já coçava uma pulga atrás da orelha tucana, antes mesmo de assumir, no período de transição do final do mandato do PSDB. A mando do governador Renan Filho (PMDB), a Secretaria da Fazenda (Sefaz) e outras secretarias de Estado realizam uma investigação minuciosa do que foi feito desse dinheiro todo. Uma série de irregularidades e dúvidas começam a aparecer. O governo atual deve abrir uma auditoria para investigar as contas do anterior. A ponta do iceberg já foi revelada em reportagem exclusiva da Gazeta, mostrando que R$ 188 milhões se transformaram em asfalto, mas deveriam ser aplicados em obras como a sede do Instituto de Criminalística, salas de aula, leitos de UTI Neonatal, ampliação da linha de VLT, construção de um campus universitário e tantas outras. Mais R$ 26 milhões simplesmente seriam devolvidos. Os secretários de Estado e diretores de órgãos que sofrem com a falta de recursos ficaram em polvorosa quando souberam desta realocação de recursos até hoje muito mal explicada.